Vila Real

Médica foi embora e 325 pessoas ficam à espera de cirurgia

Médica foi embora e 325 pessoas ficam à espera de cirurgia

A especialidade de cirurgia vascular foi suspensa no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, sediado em Vila Real, depois de a única médica habilitada se ter transferido para o Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães, no início do mês.

A especialidade tem, nesta altura, uma lista de espera de 325 cirurgias e 829 consultas.

A saída da única cirurgiã vascular deixou o presidente da Câmara Municipal de Vila Real, Rui Santos, "perplexo" por ter sido permitida pelo Ministério da Saúde. "É extraordinário que o senhor ministro tenha autorizado essa contratação, originando assim que esta valência tenha sido suspensa por falta de profissionais", lamenta o autarca. O Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) não se mostrou disponível para esclarecer o que irá acontecer aos doentes em lista de espera.

Isto acontece numa altura em que, segundo Rui Santos, o CHTMAD vive uma "realidade preocupante". "Há falta de financiamento, não há uma discriminação positiva para a captação de médicos no interior, autorizam-se a abertura de concursos em igualdade de circunstâncias com centros hospitalares do litoral, e adotou-se uma medida discricionária para o interior, no anterior Governo, que não resultou", aponta.

Faltam anestesistas

O preenchimento de vagas abertas no CHTMAD também é "claramente insuficiente" na opinião do autarca. "Estávamos expectantes em sequência da autorização de abertura de 37 vagas, feitas pelo senhor ministro, em julho de 2016, mas apenas foram colocados aqui nove médicos, sendo que quatro deles já cá estavam", sublinha. A falta de médicos de anestesiologia é uma das situações mais flagrantes. "Há blocos operatórios encerrados por falta de anestesistas", denuncia Rui Santos, que considera ser "estranho" que o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, "autorize outros centros hospitalares a contratar anestesistas quando eles fazem falta em Vila Real".

O JN contactou o Ministério da Saúde para obter esclarecimentos sobre esta situação, mas não obteve resposta em tempo útil.

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