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Dança dos cús de volta ao Carnaval de Cabanas de Viriato

Dança dos cús de volta ao Carnaval de Cabanas de Viriato

A secular Dança dos Cús regressou este domingo a Cabanas de Viriato, em Carregal do Sal. Esta tradição, com mais de dois séculos, foi interrompida em 2021 devido à pandemia, mas voltou este ano "em força", atraindo milhares de pessoas à vila do distrito de Viseu.

A dança grande, como também é conhecida, juntou novos e velhos, habitantes locais e turistas, mascarados e pessoas que simplesmente quiserem participar num dos costumes mais típicos do entrudo na Beira Alta.

Tal como manda a tradição, os foliões juntaram-se em duas filas e ao terceiro compasso da valsa do Carnaval foram ao centro e bateram com o cú no parceiro do lado. O som da música é da responsabilidade da Sociedade Filarmónica de Cabanas de Viriato, que em 2022 completa 150 anos de atividade.

O desfile, com cabeçudos, mas sem carros alegóricos, saiu à rua com mais "mascarados" do que é normal, por causa da covid-19. A organização estima que cerca de 10 mil pessoas tenham participado na dança grande que percorreu três quilómetros de ruas e ruelas de Cabanas de Viriato.

No regresso da Dança dos Cús houve muita gente que se deslocou pela primeira vez a esta vila do concelho de Carregal do Sal, onde nasceu o cônsul Aristides de Sousa Mendes. Foi o caso de Afonso Monteiro, de Mortágua, que não escondia a satisfação e alegria por ver passar a música e a famosa dança. "Estou a achar isto muito engraçado", confessou.

Com ele estava um casal amigo, emigrado em França e que está de férias em Portugal. "Está a ser maravilhoso. Até já dancei um pouco", disse Maria de Fátima Mendes.

Também a família de Maria Soares, de Coimbra, alinhou pela primeira vez. "Isto é tudo muito giro, é notável o próprio povo ter este envolvimento todo", afirmou ao JN, enquanto via a família a entrar na dança e a bater com os respetivos traseiros.

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Natural de Nelas, um concelho vizinho, José Abrantes participa na Dança dos Cús sempre que pode com a família. Prefere os carnavais mais tradicionais à folia brasileira que se regista em alguns desfiles. "Acho que este é mais um pretexto para a gente deitar fora os problemas do dia a dia e esquecer a pandemia", argumentou.

Os visitantes elogiaram o que viam e as gentes da terra destacam o regresso desta tradição que, defendem, tem que se manter viva. "Não há Carnaval sema Dança dos Cús, é uma tradição e sendo da terra temos que contribuir para que se mantenha. Como o ano passado não tivemos, este ano regressamos em força", afirmou Mariana Serrazes, que desde pequenina participa neste costume e sempre mascarada.

Ana Lúcia Dias, que há 30 anos trocou Cabanas por Santa Comba Dão, também faz questão de regressar à terra natal por altura do entrudo. "Adoro este Carnaval, não há outro como este, pelo divertimento, por podermos entrar na dança, por tudo", adiantou, garantindo que no final da festa não há dores, nem nódoas negras no traseiro.

José Costa, vice-presidente da Associação do Carnaval de Cabanas de Viriato, mostrou-se satisfeito ao JN por ver as ruas da localidade cheias de gente. "O povo estava a precisar de sair à rua e se divertir. O nosso Carnaval é sempre bastante procurado pelos foliões", realçou.

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