Mangualde

Autarquia espera que postos de trabalho na PSA-Mangualde sejam repostos em breve

Autarquia espera que postos de trabalho na PSA-Mangualde sejam repostos em breve

O presidente da câmara de Mangualde disse hoje perceber o contexto em que a PSA - Peugeot Citroën anunciou a dispensa de 350 trabalhadores mas espera que, quando as "condições de mercado" se alterarem, os postos de trabalho sejam repostos.

João Azevedo (PS) alertou, em declarações à agência Lusa, para o forte impacto que a perda de 350 postos de trabalho tem na região e apontou para a "urgência de medidas nacionais e europeias que impeçam uma catástrofe no interior do país" com as sucessivas quebras no emprego.

"As leis do mercado ditaram esta decisão da administração da PSA, mas é uma empresa sólida e que se vai manter em Mangualde, onde continuam 900 pessoas a trabalhar, como assim tem sido ao longo dos últimos 25 anos", sublinhou o autarca, que reiterou a sua convicção que se trata de "uma situação passageira".

Também os deputados do PS eleitos por Viseu manifestaram, em comunicado, a sua preocupação pelo cancelamento do terceiro turno de produção na PSA-Mangualde, sublinhando que a extinção de centenas de postos de trabalho vai ter "um forte impacto na região".

"A laboração plena da fábrica tinha-se iniciado no final de 2010 depois de uma intensa negociação entre a administração da empresa e o anterior Governo do PS e é com tristeza que assistimos a este resultado, cruel, para estes trabalhadores", notam os eleitos socialistas no documento.

José Junqueiro, Elza Pais e Acácio Pinto exigem ainda "aos deputados da maioria eleitos por Viseu, bem como os governantes da região, nomeadamente os da economia" que venham a público "dizer o que têm andado a fazer para revitalizar a economia do país e da região e qual a palavra que têm para os empresários e para os trabalhadores que não seja a da austeridade e a de um futuro sem esperança".

A comissão de trabalhadores da PSA está, desde o início da manhã, em reuniões com os trabalhadores e com a administração e ainda não foi possível à Lusa contactar os elementos que a integram.

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Mas, em declarações à agência Lusa, Elísio Oliveira, director financeiro da PSA-Mangualde, explicou hoje que, a partir de 2 de Abril, "a empresa retoma a produção em dois turnos", acabando com a equipa da noite, que tinha entrado em Novembro de 2010.

"Anunciámo-la por um período transitório de seis meses para fazer face às encomendas que naquele contexto de mercado nos eram favoráveis. Tudo fizemos para prolongar a equipa até ao limite das nossas possibilidades, tendo em conta o mercado e a flexibilidade que tínhamos por via da bolsa de horas", explicou.

No entanto, "face à quebra das economias, nomeadamente europeias, quer no final de 2011, quer às perspectivas de crescimento quase nulo em toda a Europa", o Centro de Produção de Mangualde tem de "rever os programas de produção" e fazer novo ajustamento.

"A partir do segundo semestre do ano passado começou a haver um arrefecimento da economia, com reflexo nos mercados, e pressentia-se que os mercados estavam a cair e que, eventualmente, poderíamos ter de fazer ajustamentos", acrescentou.

Elísio Oliveira garantiu que, neste momento, é impossível prolongar o terceiro turno, porque se corria o risco de "pôr em causa a empresa toda" e, consequentemente, os restantes trabalhadores.

Desta forma, a empresa não poderá renovar os contratos dos 350 trabalhadores, mas garante que honrará todos os compromissos legais e os apoiará junto do Instituto de Emprego e Formação Profissional.

Elísio Oliveira tem esperança de que a empresa ainda consiga recuperar o terceiro turno, "assim os mercados cresçam e o justifiquem", até porque "está no seu ADN" criar emprego e ganhar dimensão.

"Nos últimos 20 anos tivemos um emprego médio de mil pessoas, nos últimos dez anos um emprego médio de 1200 e sempre que temos oportunidade de crescer tudo fazemos para agarrar. Temos tido a confiança e a melhor colaboração do grupo nesse sentido", disse.

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