Resende

Padre admite ter vendido álcool a menores em festa escolar

Venda e consumo de "shots" e cerveja numa festa realizada no recinto da Escola Secundária D. Egas Moniz, em Resende

Foto Rui Oliveira / Arquivo Global Imagens

Padre Vasco Alves diz que cerveja "não tem grande teor alcoólico"

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Sacerdote e professor de Educação Moral e Religiosa diz que cerveja "não tem grande teor alcoólico".

A queixa já foi apresentada à Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) por parte de um pai que, no passado sábado, ficou indignado por ver vender e consumir "shots" e cerveja numa festa realizada no recinto da Escola Secundária D. Egas Moniz, em Resende.

"Ver que era o padre, professor de Educação Moral e Religiosa Católica da escola, a vender as bebidas ainda me chocou mais", denunciou A. Pinto ao JN.

O encarregado de educação não deixou a filha de 14 anos, estudante na secundária, ir à festa, mas decidiu passar por lá para verificar em que condições decorria a iniciativa. "Dentro de uma escola onde entregamos os nossos filhos, alguém tem de ter responsabilidade", argumenta.

O padre Vasco Alves, professor há 27 anos de Educação Moral e Religiosa Católica na Escola Secundária de Resende, nega ao JN a venda de "shots" na festa, aberta à comunidade. "Estive a vender bebidas, incluindo cerveja, mas não havia à venda "shots" ou outras bebidas brancas", assegura.

Verbas para viagem de estudo

Segundo explicou, a festa foi realizada pelos alunos da disciplina que leciona, destinada a angariar dinheiro para pagar uma viagem de estudo a Itália, que o próprio está a organizar, tal como tem feito nos últimos sete anos.

"Os alunos pediram-me para ajudar no bar e eu sou amigo deles", justificou, vincando que vendeu bebidas na qualidade de docente e não de padre.

Quanto à venda da cerveja, desvaloriza: "É uma bebida que não tem grande teor alcoólico e não houve qualquer problema", afirma, juntando outro argumento: "A festa era aberta à comunidade, podem ter levado bebidas de fora, mas isso não posso controlar", afirma.

Festa aberta a adultos

Questionado como é feito o controlo da venda de bebida alcoólicas a menores de idade, Vasco Alves justifica: "Conheço bem todos os meus alunos. A maioria dos alunos do Secundário está inscrita nas minhas aulas e os que foram à festa tinham, maioritariamente, mais de 16 anos", adianta.

A 1 de julho do ano passado, entrou em vigor uma alteração à lei, que proíbe a venda de álcool, incluindo vinho e cerveja, a menores de 18 anos.

Manuel Luís Tuna, diretor do Agrupamento de Escolas de Resende, confirmou ao JN ter autorizado a festa dos alunos, onde diz ter estado, mas por pouco tempo: "Não vi nada que não estivesse em conformidade", assegurou. "Provavelmente, no bar havia bebidas alcoólicas porque a festa era aberta também a adultos", afirma.

Apesar de não ter recebido qualquer queixa dos pais, diz que a questão o preocupa e que vai averiguar, no sentido de prevenir situações futuras.