S. João da Pesqueira

Marta já tem transporte para as tampinhas que vão ajudá-la a pagar tratamentos

Marta já tem transporte para as tampinhas que vão ajudá-la a pagar tratamentos

Multiplicaram-se as partilhas da notícia da edição de segunda-feira do JN, e as ofertas de ajuda foram-se replicando ao longo do dia: à tarde, Marta, a jovem de S. João da Pesqueira que vive com duas balas alojadas na cabeça e que juntou mais de 30 toneladas de tampinhas para pagar as terapias de que precisa, já tinha transporte para carregá-las desde Vila do Conde até ao Alentejo, onde serão entregues a uma empresa de reciclagem.

"Tivemos muitos contactos. Várias pessoas ofereceram o transporte, e agradecemos a todas. Isto foi a partir da reportagem do JN, porque já tínhamos feito até diretos [na semana passada, na página de Facebook «Vamos ajudar a Marta Nogueira»] a pedir camiões, e não conseguimos", lembra o presidente da Associação Desportiva de Árvore Forças Segurança Unidas (ADAFSU), Bruno Brini, que conheceu Marta em setembro e logo lançou a "campanha Menina Milagre", para dinamizar a recolha de tampinhas iniciada pela jovem em agosto.

Até ao final do ano passado, foram recolhidas 32,5 toneladas de tampinhas, que se encontram acondicionadas em 26 "big bags" (sacos grandes) - cada um com mais de mil quilos - armazenados desde dezembro na secção de Vilar de Pinheiro dos Bombeiros Voluntários de Vila do Conde, que se associaram à campanha.

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Dinheiro das tampas entregue à clínica

O transporte para a empresa de reciclagem Resialentejo, em Beja, chegou a estar apalavrado com um particular, que em janeiro "tinha prometido o camião à Marta mas que falhou e está incontactável", explica o dirigente da ADAFSU, sublinhando que a verba angariada com as tampas "faz falta para os tratamentos" da jovem de 26 anos que foi baleada na cabeça pelo ex-namorado, em 2015.

"A empresa paga diretamente à clínica. Pela Marta não passa dinheiro nenhum: ele vai para as sessões de fisioterapia, que são muito caras", vinca Bruno Brini, que tentava encontrar transporte gratuito para as tampas, uma vez que este "não é muito barato" e "não faz sentido" efetuar uma despesa avultada no âmbito de uma ação solidária para angariação de verbas. Desde segunda-feira, Marta e a ADAFSU têm recebido múltiplos contactos com ofertas de ajuda que chegam um pouco de todo o país. "Isto só vem provar que o povo português é cada vez mais solidário", congratula-se o presidente da associação de Vila do Conde.

Terapias dispendiosas

Marta Nogueira ficou conhecida como a "Menina Milagre" por ter sobrevivido após ser baleada na zona da cabeça pelo ex-namorado, a 15 de abril de 2015, no Pinhão, em Alijó, ficando em coma profundo e com prognóstico muito reservado. E também pelo grau de recuperação que já alcançou, graças à soma de vitórias que ninguém adivinhava possíveis. Como falar, ou pôr-se em pé e dar alguns passos sozinha, capacidades que só conseguiu resgatar graças às terapias intensivas e dispendiosas - na ordem dos 200 euros semanais - que faz e às mais de 30 cirurgias a que já foi submetida. É um combate "grande", admitia Marta ao JN, em outubro passado.

O ex-namorado, Manuel Monteiro, à data do crime com 31 anos e já cadastrado, foi condenado, em 2016, pelo Tribunal de Vila Real, à pena máxima de 25 anos de prisão pelo homicídio de Joana, de 23 anos e prima de Marta, e por ter tentado matar a ex-namorada, então com 21 anos. Dirigiu-se armado à pastelaria do Pinhão onde ambas trabalhavam e baleou as duas na cabeça, por não aceitar o fim do namoro com Marta. A sentença obrigou-o ainda a pagar mais de 500 mil euros de indemnização às famílias das vítimas, o que nunca fez.

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