Dedicação

A "tia" do regimento de Infantaria 14 há quase 50 anos

A "tia" do regimento de Infantaria 14 há quase 50 anos

Angélica Matos, reformada, continuou a servir o Exército em Viseu a título voluntário e ganhou uma medalha por isso.

É uma mulher de armas, a transmontana de Vila Real que completa hoje 87 anos, com uma saúde de ferro. Sobreviveu à dor da perda de uma das duas filhas e do marido, militar no Regimento de Infantaria (RI) 14, em Viseu. Foi ali que Angélica Matos acabou por conquistar, pelo estômago, os militares e ganhou uma família. "Aqui, chamam-me tia", revela, a sorrir, a mulher que, depois de enviuvar, aos 40 anos, foi trabalhar no refeitório do RI 14.

"Precisava de trabalhar para criar as minhas filhas, que eram pequenas", conta Angélica, que respira fundo antes de prosseguir. "Só eu sei como se passou a minha vida", diz, acrescentando que também criou o neto. A sua vida está na cozinha do RI 14, onde reconhece que aprendeu muito com cabos e sargentos que a chefiavam. Aprimorou o rancho (o famoso prato de grão, carne e legumes à moda de Viseu) e a feijoada, em panelões de 500 e 600 litros. "Os rissóis e os croquetes eram congelados para serem comidos só em dias de festa", recorda.

Aposentou-se aos 70 anos mas não lhe ocorreu quebrar a rotina. Há 16 anos (com pausa desde março, por causa da pandemia) continuou a trabalhar no RI 14, onde chega antes das 8.30 e só sai às 17 horas. "Voluntária", sublinha, orgulhosa.

"Gosto muito deles. Sinto-me em casa e este convívio ajuda-me a viver", justifica. Esta dedicação foi reconhecida pelo Exército que, no mês passado, lhe atribuiu a medalha de mérito D. Afonso Henriques.

"Não estava à espera, mas fiquei muito contente e disseram-me que era merecida", afirma.

"Rancho sem o toque da D. Angélica não é rancho", elogia o segundo-comandante do RI 14, tenente-coronel António Vicente, que não esconde o carinho pela "tia".

"O Exército é um amor para a vida toda", conclui Angélica Matos.

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