Viseu

Caneleiras feitas em Viseu são usadas pelos craques

Caneleiras feitas em Viseu são usadas pelos craques

Rui e Filipe, dois professores, desenvolveram durante cinco anos, sem subsídios, uma proteção revolucionária das canelas usada por futebolistas famosos, que valem milhões, como o Cristiano Ronaldo.

Era um contrassenso e dos grandes. Que sentido fazia futebolistas que valem muitos milhões de euros terem as suas pernas mal protegidas por caneleiras desconfortáveis e pouco eficientes? A ideia original de resolver o problema foi de Rui Pina, 41 anos, natural de Seia.

Concluídos os estudos no Politécnico de Viseu, Rui começou a dar aulas de Educação Visual no 2.0 ciclo, mas nas horas vagas nunca deixou de investigar materiais, de carbonos a polímeros.

Não demorou a chegar ao protótipo de uma caneleira leve e resistente, feita à medida de cada perna, a partir de um molde em gesso. O produto teve um sucesso quase instantâneo. Num estágio do Belenenses em Gouveia, Rui Pina arranjou o primeiro cliente, Fernando Mendes (ex-defesa esquerdo do F.C. Porto), e um contacto para vender caneleiras ao Salamanca, dado por João Alves, o célebre luvas pretas.

Parar para pensar

No Salamanca, não só lhe compraram as caneleiras personalizadas, como ainda o recomendaram ao Valladolid e Celta de Vigo, clubes que ele passou a fornecer. Numa ida a Vigo, o brasileiro Mazinho levou-o ao hotel onde estava o Barcelona e apresentou-o ao médico e a Mourinho (à época, adjunto de Van Gaal), que ficaram tão entusiasmados com a invenção, que logo o convidaram para a apresentar em Barcelona.

Foi neste preciso momento que Rui achou melhor parar para pensar. Fornecer um clube significava colher 46 moldes de gesso e transportá-los para a garagem e sótão de casa, onde fabricava de forma artesanal as caneleiras.

Na mesa do café Ponto de Encontro, em Viseu, onde se reunia com os amigos, foi partilhando as dores de crescimento do negócio com Filipe Simões, 36 anos, professor de Eletrónica no Politécnico de Viseu, que aos poucos se foi envolvendo na coisa, ao ponto de se tornarem sócios na SAK (iniciais de "safety against kicking").

Desincorporar o molde de gesso do processo de fabrico foi o grande desafio dos cinco anos em que estiveram a desenvolver o produto, sem subsídios. Em 2008, aproveitaram o estágio em Viseu da seleção nacional que disputou o Mundial da Alemanha, para mostrarem o produto a Ronaldo & Companhia. Foi amor à primeira vista e, duas semanas após a captura das medidas, estavam a entregar-lhes as caneleiras personalizadas.

O passa a palavra, assegurado por Paulo Ferreira, levou Rui e Filipe a Londres, onde passaram a fornecer Chelsea e Tottenham. Mas faltava meter o turbo, o que aconteceu em outubro de 2012, quando o capital da SAK foi reforçado pela ES Ventures e a Buzzy Angels. Rui e Filipe deixarem de ser professores, concentraram-se a 100% no negócio e reconverterem numa fábrica a antiga escola de Prime, em Viseu.

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