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Crise nos têxteis já lançou três mil no desemprego

Crise nos têxteis já lançou três mil no desemprego

O Sindicato Têxtil dos Trabalhadores da Beira Alta revela que nos últimos meses fecharam em Viseu e na Guarda duas dezenas de fábricas. Três mil perderam o trabalho, numa região que vive o "drama" da falta de alternativas.

"É uma situação dramática seja qual for o ângulo de abordagem. Contudo mais aguda, como é fácil de perceber, nas regiões do interior do país onde não existem empregos alternativos", declara Carlos João, dirigente do STTBA.

O sindicalista avisa que os encerramentos e despedimentos, preocupantes para os trabalhadores que perdem o seu posto de trabalho e, consequentemente, o seu ganha pão, "agravam também a situação dos sistemas de segurança social, que passam a ter menos receitas e mais despesas".

Nos últimos meses fecharam, nos distritos de Viseu e da Guarda, algumas pequenas e médias empresas que garantiam trabalho regular a quase três mil pessoas, sobretudo mulheres.

A maioria das unidades fabris pediu a insolvência, alegando quebra nos respectivos negócios. Estão neste caso, segundo o STTBA, as empresas Gartêxtil, Vodragés, Têxtil das Lamas, Alvalã, Cabral & Irmão, Sotave, Ranking, TSE, Jopilã, Efilã, Malhas Combate, Jomabril, Malhacila, Confecções Sénior, Dache Confecções, Beiragaspea, Rodhe, Amiral e Moura Cabral, entre outras

Um dos exemplos mais recentes, registado a 8 de Dezembro, foi a AMJ, uma fábrica de confecção de calças, a laborar em Mangualde, que fechou por "falta de encomendas" e deixou 44 mulheres sem trabalho.

"Os donos pediram a insolvência da empresa e ficaram a dever-nos o subsídio de Natal e a indemnização que, no meu caso, corresponde a 7,5 anos de trabalho", explica Teresa Silva, uma das desempregadas.

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A ex-costureira informa que, no dia 12 de Janeiro, os credores da AMJ foram chamados ao Tribunal Judicial de Mangualde. "Entre as entidades a quem a firma deve dinheiro, está, por exemplo, a EDP. Contudo, o tribunal deixou claro que ninguém leva um cêntimo que seja, enquanto a situação dos ex-trabalhadores não estiver regularizada. Ficámos muito satisfeitas com esta decisão", confessa Teresa Silva (ver peça ao lado)

Carlos João, do STTBA, recorda que os problemas que afectam o sector têxtil não são de agora, embora se estejam a agravar. Situação que "exige" medidas imediatas para os travar.

"Não é possível combater o desemprego sem uma estratégia de desenvolvimento económico e social. As teses neo-liberais tendem a responsabilizar os desempregados pela sua própria situação, o que alimenta depois as medidas restritivas no acesso ao subsídio de desemprego", concretiza o sindicalista.

Preocupado com o drama que já tingiu milhares de famílias, apenas na Beira Alta, Carlos João exige medidas. "O Governo deve assegurar os direitos do desempregados e aplicar medidas activas concebidas numa óptica de prevenção e não como camuflagem social do desemprego".

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