Viseu

Idosos madrugam para levar dose de reforço da vacina contra a covid-19

Idosos madrugam para levar dose de reforço da vacina contra a covid-19

José Durão foi o primeiro a chegar este sábado ao Centro de Vacinação de Viseu para levar a terceira dose da vacina contra a covid-19. Às 7.30 horas já estava à porta do pavilhão multiusos da cidade para estrear a "casa aberta" para pessoas com mais de 80 anos.

"Vim cedo para ser dos primeiros. Gosto de chegar sempre como a camisola amarela", afirmou, com uma gargalhada, o homem de 84 anos, natural de Pascoal, minutos antes de abrir portas o centro de vacinação.

Em dois dias esta foi a segunda vez que José tentou levar a dose de reforço. Desta vez conseguiu. Na sexta-feira, por causa da greve da Função Pública, deu com o nariz na porta. Voltou este sábado e bem cedo.

"Hoje não faltei. Fui o primeiro a chegar, quero estar protegido. A vacina é uma mais-valia. Ave prevenida vale por uma dúzia delas", atirou.

À entrada do centro de vacinação de Viseu estavam antes das 9 horas, hora de abertura, mais de três dezenas de idosos, muitos acompanhados por familiares. Mal se abriram as portas foram entrando e ocupando as cadeiras existentes no local, enquanto esperavam pela vacina. Lá dentro, graças ao sistema de aquecimento que foi instalado, está bem mais quente do que na rua.

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Maria Jesus, de 87 anos, também chegou cedo, com a filha. A viver em Corvos, freguesia de Santos Evos, antes das 8 horas já estava na fila. Fez a vacina da gripe e da covid. "Doeu um bocadinho, foi tipo um tojo", disse, entre risos, à enfermeira depois de levar os dois fármacos.

Desta vez esteve apenas 15 minutos na sala de repouso. Como já tinha levado as duas doses não teve que esperar meia hora por eventuais reações adversas.

"Vou mais tranquila e feliz porque ela já está despachada", confessou ao JN a filha, Maria Madalena Gonçalves. "Quanto mais rápido melhor para ela, para a família e para o bem de nós todos, não vá ela apanhar e depois transmitir e assim estamos mais tranquilos pela saúde dela e pela nossa", sustentou.

Também Gervásia Ferreira foi acompanhada para a toma da vacina. A antiga enfermeira, de 89 anos, às 9.20 horas já estava despachada. Foi a terceira vez que tentou ser vacinada. Tinha marcação para o final de outubro, mas como tinha feito a vacina da gripe uns dias antes teve que esperar 15 dias. Na sexta-feira foi ao centro de vacinação, mas devido à greve foi obrigada a voltar este sábado. Aproveitou o regime "casa aberta". Se for necessário até toma uma quarta dose. "Se nos mandam tomar é porque é preciso. Acho que não há que ter escolha, temos que levar e com o aumento dos casos não é de pensar duas vezes", defendeu.

António Ferreira também não teve que equacionar muito. Depois de ver imagens na televisão de longas filas para a vacina chegou perto da hora de abertura ao centro de vacinação de Viseu. Faz 88 anos em dezembro e acredita que a dose de reforço da vacina contra a covid é uma prenda antecipada.

"Vejo tantos problemas... e então vim à casa aberta", explicou, salientando que desta vez nem sentiu a picada da agulha. "Ate falei com a enfermeira: então, mas já está? Não senti nada", disse.

Esta manhã não foram só os idosos que aproveitaram a "casa aberta". Carlos Ferreira, de 51 anos, também foi vacinado. Recebeu a primeira dose.

"Só vim agora porque tinha alguma desconfiança e venho mais por uma questão de necessidade porque vou ter que viajar. Por mim para já não tomava, não tenha nada contra, mas desconfio do desenvolvimento da vacina. Gostava mais de tomar numa segunda fase, com a vacina mais desenvolvida, mas pronto, tem que ser", justificou o empresário que tem viagem marcada para o estrangeiro no final do ano.

Só na primeira meia hora de funcionamento deram entrada no centro de vacinação de Viseu 60 pessoas, um número que deixou surpreendida a coordenadora da unidade.

"Está a correr tudo muito bem, os utentes estão acomodados no edifício, manter idosos na rua era complicado devido à sua mobilidade, de forma que estão cá dentro confortáveis. Estamos a vacinar a bom ritmo", adiantou Maria Albernaz.

Segundo esta enfermeira, a adesão dos idosos à terceira dose tem sido baixa. Só 40% dos cidadãos com vacina agendada ou em condições de a receberem aparecem. "As pessoas que não foram vacinadas, que aproveitem hoje e amanhã para o fazer", apelou, acrescentando não haver necessidade de "madrugarem" para serem vacinadas.

O concelho de Viseu tem mais de 22 mil utentes com 65 ou mais anos.

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