Viseu

Ex-comandante dos voluntários de Viseu convicto de que foi afastado por questões políticas

Ex-comandante dos voluntários de Viseu convicto de que foi afastado por questões políticas

O ex-comandante dos bombeiros voluntários de Viseu, Luís Duarte que, em Outubro passado, não foi reconduzido no cargo, afirmou esta quinta-feira, que está convicto de que foi afastado por questões políticas. Bombeiro há 41 anos, não aceita os argumentos que a direção lhe apresentou, tal como "não estar alinhado com a estratégia da Proteção Civil Municipal".

Duarte acredita que foi afastado por causa de declarações que fez ao Jornal do Centro, que "Caíram como uma bomba no Rossio", afirmou.

Em setembro de 2016, após os grandes incêndios de Torredeita, Luis Duarte afirmou ao jornal do Centro que, em situações daquele género, em que um incêndio passa auto-estradas, itinerários principais, estradas municipais, lambe aldeias e até um lar de idosos teve de ser evacuado, gostaria de ver os responsáveis da Proteção Civil Municipal nos teatros das operações.

Logo a seguir, Luís Duarte diz que foi chamado a uma reunião com a direção , o corpo de bombeiros e o vice-presidente da Câmara, e que na conversa "cordial" sublinhou que não pretendia criar qualquer problema institucional. "Se calhar essa foi a gota de água que saiu fora do copo", afirmou o ex-comandante.

"Podemos entender isto como uma questão política porque se calhar disse coisas politicamente incorretas para quem está à frente da instituição", afirmou.

O JN tentou ouvir Almeida Henriques, presidente da Câmara e Viseu, mas fonte do Gabinete de Comunicação disse não poder prestar declarações por se encontrar em serviço, a caminho de Ponta Delgada.

Luis Duarte não contestou o afastamento, mas fala em "má-fé". Isto porque pediu ingresso na carreira de oficial superior (com funções de assessoria ao comando) e a direção deu parecer desfavorável, poucos dias depois de ter sido aprovado um voto de louvor em Assembleia Geral, com aclamação, incluindo por parte de todos os elementos da direção.

"Sou louvado em assembleia geral por aclamação e peço para ir para oficial de bombeiro superior, que é um direito que tenho por lei e não me permitem porque iria criar constrangimentos ao futuro daquela casa. Então e como sub-chefe?", questionou.

Na conferência de imprensa dada esta quinta-feira, foi anunciado que 50 sócios vão voltar a pedir a realização de uma Assembleia-Geral extraordinária com o objetivo de destituir a atual direção.

O primeiro requerimento foi recusado com o argumento de que os subscritores pretendiam a "destituição dos orgãos sociais" e o presidente da Mesa da Assembleia Geral respondeu que os estatutos só falam em destituição "dos membros da Mesa da Assembleia Geral, direção e Conselho Fiscal".

Os subscritores, com a ajuda de um advogado, vão reformular o pedido e caso volte a ser indeferido, admitem avançar com uma ação junto do Tribunal Administrativo de Viseu.