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Viseu diz que Siza Vieira foi envolvido nas alterações ao Mercado 2 de Maio

Viseu diz que Siza Vieira foi envolvido nas alterações ao Mercado 2 de Maio

A Câmara de Viseu esclareceu esta quarta-feira que o arquiteto Siza Vieira, assim como a Ordem dos Arquitetos, foram envolvidos nas alterações à Praça (Mercado) 2 de Maio, onde desde 15 de janeiro começaram as obras com vista à colocação de uma cobertura.

O esclarecimento do município surge depois de um grupo nacional de cidadãos das áreas da Arquitetura, História da Arte, Património, Gestão e Programação Cultural se ter organizado num movimento, pedindo a suspensão imediata da obra dos arquitetos de Álvaro Siza Vieira e António Madureira, por entender que destruirá o desenho original.

"A Câmara Municipal de Viseu viria mais tarde a solicitar ao arquiteto Álvaro Siza uma solução para a cobertura parcial da Praça 2 de Maio, que não viria a executar. Em vez disso", denuncia a Carta, "propõe-se agora executar outro projeto de cobertura, que desrespeita o trabalho autoral do projeto anterior".

Trata-se de um "atentado patrimonial que a Câmara Municipal de Viseu está prestes a cometer da cidade", assegura o movimento cívico, que está a mobilizar a sociedade para a defesa da arquitetura e do património nacional, através de uma petição pela suspensão do projeto, que custará quatro milhões de euros.

A petição já foi assinada por arquitetos como Eduardo Souto de Moura, Manuel Aires Mateus ou João Luís Carrilho da Graça, mas também por Simonetta Luz Afonso, Museóloga e Gestora Cultural, Dalila Rodrigues, Historiadora de Arte e Gestora de Património, ou José Mateus, Presidente da Trienal de Arquitetura de Lisboa.

A Câmara de Viseu explica que a discussão sobre o projeto da cobertura do Mercado 2 de Maio começou em 2014, com o lançamento de um concurso de ideias aberto a toda a comunidade, ao qual se seguiu "um amplo período de debate público que o Município entendeu como fulcral, tendo em conta a relevância deste equipamento e espaço urbano da Cidade de Viseu e a necessidade de encontrar uma solução equilibrada que interaja com o Centro Histórico, os seus comerciantes e que permita a sua utilização ao longo de todo o ano", afirma numa nota escrita.

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Em setembro de 2014, quando já estava aprovado o "Plano de Ação Estratégico para a revitalização do Centro Histórico de Viseu", o arquiteto Siza Vieira "foi envolvido no processo, tendo assinado uma declaração onde expressa que autoriza a utilização dos desenhos disponibilizados à Viseu Novo SRU, Sociedade de Reabilitação Urbana, no âmbito do processo do concurso público de conceção para revitalização da Praça 2 de Maio de Viseu", adianta a Câmara Municipal.

Ainda em todas as fases do processo, a Câmara assegura que houve "participação ativa" da Ordem dos Arquitetos, que colocou como condição o envolvimento do arquiteto Siza Vieira.

"Após 7 anos do início da discussão pública, e após o arranque dos trabalhos em janeiro deste ano, os pontos levantados pelos signatários da referida "Carta Aberta" surgem, no mínimo, com atraso significativa", afirma a autarquia, que diz estar disponível para receber a carta aberta e ouvir os promotores.

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