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Saída de teares pode ser o fim de têxtil de luxo em Vouzela

Saída de teares pode ser o fim de têxtil de luxo em Vouzela

Brintons leva melhores máquinas para a Índia. Fábrica de alcatifas já despediu 140 em 2021. Metade dos operários está há dois anos em lay-off

Três dezenas de pessoas, entre funcionários e sindicalistas, manifestaram-se esta quarta-feira contra a saída de teares das instalações da Brintons, uma empresa que produz alcatifas para o mercado de luxo. Segundos os manifestantes, vão sair da fábrica localizada na Zona Industrial de Campia, Vouzela, quatro das 32 máquinas, o que compromete o futuro da unidade fabril.

"Estamos a ver quatro das nossas máquinas a ir embora para outra empresa do grupo na Índia. São as melhores máquinas e estamos com algum receio. Pode ser o princípio do fim", alerta André Monteiro, funcionário da Brintons há uma década.

Quem também não esconde a preocupação é Maria Isabel, de 61 anos, e com 25 de casa. "Vão vender os teares que são o alicerce desta empresa, são os teares mais eficientes, polivalentes e que são o coração da empresa. Se eles forem embora não temos pernas para andar", defende.

Maria Isabel e André estão em casa em lay-off desde abril de 2020. Por mês auferem pouco mais de 600 euros. A pandemia foi a justificação apresentada pela empresa para dispensar o ano passado perto de 140 funcionários e colocar em lay-off 45. Na fábrica mantém-se a trabalhar outros 45.

A coordenadora da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios, Vestuário, Calçado e Peles de Portugal (FESETE) também encara a saída de máquinas da unidade fabril como um sinal de instabilidade. Isabel Tavares reuniu hoje com a administração da empresa e saiu ainda mais preocupada desse encontro. "Trouxemos uma mão cheia de nada. Dizem que não tem nada de concreto em relação ao futuro dos trabalhadores", lamenta.

A FESETE promete lutar para impedir a saída dos teares da fábrica. Já a União dos Sindicatos de Viseu (USV) vai reunir com a Câmara de Vouzela e Segurança Social. "A Segurança Social pôs aqui dinheiro durante dois anos em lay-off e lay-off simplificado. Então põem aqui dinheiro para depois a empresa fechar? O lay-off é um apoio às empresas para elas manterem os postos de trabalho", lembra Francisco Almeida, da USV.

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A administração da Brintons não quis falar ao JN.

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