Economia

Alfândega da Fé aposta na diáspora no Brasil para repovoar e criar emprego

Alfândega da Fé aposta na diáspora no Brasil para repovoar e criar emprego

O município de Alfândega da Fé está a tentar convencer a diáspora no Brasil a investir neste concelho de Bragança com um projeto que envolve imobiliário para turismo e oferta de benefícios a novas empresas, anunciou hoje a autarquia.

A ideia é apresentada como "um projeto-piloto" para Trás-os-Montes que envolve entidades públicas e privadas numa estratégia para "repovoar" Alfândega da Fé, atraindo investimentos no imobiliário para turismo e, simultaneamente novas empresas com benefícios para a criação de, pelo menos, 20 postos de trabalho.

O parceiro da Câmara neste projeto é grupo empresarial privado Alfandegatur, que adquiriu a antiga empresa municipal dona do Hotel e SPA na Serra de Bornes, e que agora pertence ao empresário transmontano Jorge Morais com contactos e negócios, há alguns anos, no Brasil.

Segundo explicou à Lusa a presidente da Câmara, Berta Nunes, perante a necessidade de alargar a capacidade do empreendimento turístico, que é uma das atrações da região, com um SPA ao ar livre, o empresário decidiu construir um aldeamento turístico de luxo com 17 moradias numa primeira fase com arranque da construção para "o segundo trimestre" deste ano.

O investimento previsto de 10 milhões de euros foi apadrinhado pelo cantor transmontano com ligação ao Brasil Roberto Leal, que adquiriu uma das futuras moradias e que estão projetadas para serem vendidas aos portugueses e lusodescendentes no Brasil.

Segundo a presidente da Câmara, Alfândega da Fé tem vários tem um número significativo de "filhos da terra" no outro lado do Atlântico.

"Só a aldeia de Gebelim, tem em São Paulo, no Brasil, uma comunidade com um número de pessoas superior ao daquelas que residem nesta localidade", exemplificou, enfatizando que o presidente da Associação de Padarias do Brasil, Antero Pereira, é de Gebelim.

Ao comprarem uma das moradias, os investidores adquirem também um negócio, já que, durante o tempo em que não na ocuparem, esta será arrendada a turistas, permitindo aumentar a oferta hoteleira da região.

Simultaneamente, o município vai dar benefícios a quem, além de comprar a moradia turística, queira instalar os seus negócios em Alfândega da Fé, com oferta de terrenos na zona industrial para novas empresas com, pelo menos, 20 postos de trabalho.

A autarca adiantou que tem já contactos avançados com o Brasil, nomeadamente com uma empresária do setor têxtil, da área da roupa interior feminina, para a instalação de uma empresa em Alfândega da Fé.

A possibilidade deste investimento é encarada com expectativa pela autarca que lembra que seria destinado a mão-de-obra feminina num concelho onde o desemprego entre as mulheres é mais elevado e com menos oportunidades de trabalho.

O município tem em vista outro investimento na área agroalimentar e irá fazer o primeiro contacto com o potencial investidor, em abril, durante uma visita ao Brasil.

O canal de comunicação com o Brasil foi aberto pelo empresário transmontano Jorge Morais que desde há alguns anos está a exportar azeite e vinho para São Paulo.

A comunidade portuguesa ali existente inspirou o projeto de Alfândega da Fé e a presidente da Câmara espera ver alguns resultados ainda durante este ano.