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Ano Europeu do Património Cultural deve mostrar que património não é luxo

Ano Europeu do Património Cultural deve mostrar que património não é luxo

Guilherme de Oliveira Martins, coordenador nacional do Ano Europeu do Património Cultural (AEPC), que se celebra em 2018, defende que o património "não pode ser visto como um luxo" e que tem de haver uma "consciencialização" da sua importância.

O ano de 2018, na opinião de Oliveira Martins, "não deve ser um momento que depois se esqueça", disse em entrevista à agência Lusa. "2018 deve ser um momento especial de consciencialização e de lançamento de iniciáticas com continuidade e futuro, essa é a grande preocupação, e daí o lançamento do desafio para a sociedade civil e para os diferentes protagonistas do mundo cultural".

"Este ano europeu é justamente a demonstração de que não se trata de um luxo, não se trata de algo marginal, mas de algo central", sublinhou.

"2018 é um ano de sensibilização, é um ano de responsabilidade acrescida, mas, sobretudo, é um ano em que iremos lançar a prioridade europeia para as políticas públicas culturais do património", afirmou, realçando que, até 2020, este é o único ano temático escolhido pela União Europeia (UE). "Assume por isso uma importância significativa, tendo em conta o momento que a Europa atravessa, a necessidade de hoje considerarmos o Património Cultural numa aceção mais ampla do que aquela que é normalmente é considerado".

"A noção, hoje, de Património Cultural é uma noção dinâmica, não é estática, retrospetiva, passadista", argumentou Oliveira Martins, que coloca a salvaguarda do Património Cultural no topo das prioridades de uma política pública de Cultura.

Para o ex-presidente do Centro Nacional de Cultura, "a proteção e a salvaguarda do património é algo que deve ser sempre considerado como prioritário numa política pública de cultura".

"Uma política pública de cultura não pode deixar, em primeiro lugar, de começar pela atenção àquilo que recebemos das gerações que nos antecederam", sublinhou, numa entrevista à agência Lusa.

O AEPC será um período de consciencialização dos cidadãos para o "lugar central e transversal" que tem o Património Cultural, mas também para "lançar sementes", nomeadamente entre os jovens, defendeu.

Uma das iniciativas que vai ser levada a cabo destina-se aos estudantes. "Há que envolver as escolas, adotando monumentos, ligando-se mais ao estudo, atenção e proteção do património", disse.

Esta é uma aposta, para no futuro, os jovens se tornarem cidadãos mais atentos quanto ao "valor inestimável do Património Cultural".

Oliveira Martins, ex-presidente ddo Tribunal de Contas, atual administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, realçou que "é indispensável que haja uma consciência dos cidadãos relativamente às responsabilidades quanto ao Património Cultural".

Guilherme de Oliveira Martins, de 65 anos, foi convidado para coordenar o AEPC, em Portugal, dado o seu currículo na área, nomeadamente o ter coordenado as Jornadas Europeias do Património, em Portugal, a redação do texto da Convenção de Faro (2005), e fazer parte da organização não-governamental Europa Nostra.

A convenção assinada na capital algarvia, "caracteriza o Património Cultural como o património construído, o imaterial, e associa a isto a criação contemporânea", explicou. A convenção foi antecedida pelas convenções de La Valetta, Granada e Florença.

Para Oliveira Martins, no próximo ano deve-se sensibilizar para "a preservação do património construído, depois a salvaguarda, ao lado do património paisagístico e do imaterial, e tornar tudo isto coerente com a criação contemporânea".

Questionado sobre o seu principal intuito para esta celebração, o responsável disse: "Sensibilizar todos para encontrarmos noções equilibradas que preservem o Património Cultural nesta aceção ampla". "Portugal é dos países mais ricos em património Cultural e nós não podemos esquecer isto".