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Arte da América Latina presente nas coleções em Portugal exibida em Lisboa

Arte da América Latina presente nas coleções em Portugal exibida em Lisboa

Uma seleção de 80 obras de 40 artistas da América Latina pertencentes a coleções públicas e privadas em Portugal vai ser inaugurada a 11 de novembro no Pavilhão Branco e Pavilhão Preto das Galerias Municipais, em Lisboa.

De acordo com a organização, esta exposição intitula-se "Potência e Adversidade - arte da América Latina nas coleções em Portugal" e integra a programação da Lisboa Capital Ibero-Americana de Cultura 2017.

Com curadoria de Marta Mestre, a exposição tem como objetivo identificar algumas relações históricas que ainda passam à margem das narrativas institucionalizadas sobre a produção artística da América Latina.

A curadora optou por um ângulo histórico circunscrito -- a produção artística dos anos 1970 até hoje --, percorrendo produções artísticas especialmente importantes para entender a vitalidade e originalidade artística de países como a Argentina, Brasil, Cuba, Espanha, México, Portugal, Chile, Venezuela, ou Colômbia.

"Se por um lado se assume que a identidade, em particular para os artistas da América Latina, é uma condição problemática e instável, por outro, a exposição procura ´performar´ narrativas culturais, vetores políticos e matrizes económicas, que possam contrapor-se à ideia de preponderância dos cânones ocidentais", segundo uma nota da curadoria.

Tendo como ponto de partida os anos turbulentos de lutas sociais, contra as ditaduras e a repressão no mundo, a exposição observa a década de 1970, "marcada por uma produção cultural inédita, engajada em romper os lugares-comuns habitualmente associados à América Latina e em que se reivindica o fim das estruturas de violação do Estado".

Foi especialmente nesses momentos que se estabeleceram "conexões entre a produção artística e a formação política e ideológica, num misto de radicalidade e marginalidade".

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Intensificaram-se, ainda nesta década, os trânsitos de artistas e intelectuais, muitas vezes relacionados com o exílio, e ampliaram-se os espaços de contaminação, o que originou um cenário de efetiva flexibilização intercultural que faz despontar problemáticas "pós-modernas" e "pós-coloniais", em debate hoje, segundo a curadoria.

Artistas como Cildo Meireles, Artur Barrio, Horácio Zabala, Anna Maria Maiolino, Ana Mendieta, Lydia Okumura, Hélio Oiticica estabelecem um 'corpus' diverso de poéticas experimentais iniciadas na década de 1970 que se desdobra nos trabalhos de um conjunto de artistas de gerações posteriores.

Estão presentes obras de artistas que se interessaram pelas relações entre arte e política e estratégias visuais e discursivas para ´deslatinizar´ e ´destropicalizar´ os discursos sobre a produção artística do continente, como Paulo Nazareth, Damián Ortega, Jac Leirner, Ignasi Aballí, Magdalena Jiktrik, Rosângela Rennó, Detanico & Lain, Emmanuel Nassar, André Komatsu, Jorge Macchi, entre outros.

A exposição integra também alguns artistas europeus cujo trabalho é atravessado por aproximações poéticas ou referências culturais à América Latina, como Ângelo de Souza, Leonor Antunes, Antoni Muntadas e Lothar Baumgarthen.

O título da exposição, que remete para a frase do artista brasileiro Hélio Oiticica "da adversidade vivemos", refere-se à ideia de existência enquanto espaço de confronto e de disputa, que inscreve a ideia de experimentação, habitualmente associada à América Latina.

A exposição é inaugurada às 17:00 de 11 de novembro.

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