Economia

Avarias em automotoras provocam supressão de comboios entre Beja e Casa Branca

Avarias em automotoras provocam supressão de comboios entre Beja e Casa Branca

Treze ligações de comboio foram suprimidas no troço Beja/Casa Branca da Linha do Alentejo, devido a avarias em automotoras, e substituídas por viagens em autocarros na semana passada, situação já criticada por PCP, PSD e "Os Verdes".

Na semana passada, houve 13 supressões de ligações de comboio "motivadas por avarias" em automotoras que asseguram as viagens no troço, nomeadamente sete na segunda-feira, uma na quinta-feira e cinco na sexta-feira, confirmou hoje à agência Lusa fonte oficial da CP.

O troço Beja/Casa Branca, com 63 quilómetros, não está eletrificado, o que "obriga" a CP a operar com recurso a uma frota de automotoras diesel, que tem "uma idade média superior a 50 anos, baixas velocidades comerciais, tempos de percurso elevados, baixa fiabilidade e elevados custos de manutenção", explicou a fonte.

"A avaria de uma única automotora", que "assegura uma série de ligações de ida e volta", e se não existir outra disponível para a substituir, pode provocar a supressão de várias ligações de comboio no troço entre Beja e Casa Branca, alertou a fonte.

Segundo a fonte, a CP e a empresa responsável pela manutenção do material circulante ferroviário "têm procurado reforçar as operações de manutenção" para "reduzir os índices de imobilização".

"Não obstante, em algumas situações de avarias e quando não existe solução imediata para o transporte por ferrovia", a CP "procura disponibilizar transbordo rodoviário como alternativa para as deslocações dos clientes", frisou.

A CP, "conforme já assumiu, publicamente e junto da tutela", tem "manifesta necessidade de proceder à ampliação e à renovação do seu parque de material circulante", nomeadamente das automotoras diesel das linhas que ainda funcionam com este tipo de tração, como o troço Beja/Casa Branca, disse a fonte.

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A solução para a renovação de material circulante está a ser analisada pela CP e pela tutela, disse a fonte, referindo que, "enquanto não se verificar a eletrificação da linha ou a possibilidade de renovação do parque de material circulante, a CP terá que continuar a operar com os recursos ao seu dispor, prestando o melhor serviço possível, dentro das limitações existentes".

As supressões de ligações já motivaram críticas dos deputados João Ramos (PCP), Nilza de Sena (PSD) e José Luís Ferreira, do Partido Ecologista "Os Verdes".

João Ramos questionou o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas para saber porque não foram tomadas medidas para evitar as supressões e quando serão cumpridas pelo Governo as recomendações de eletrificação e de qualificação das ligações do troço que constam na resolução apresentada pelo PCP e aprovada em março deste ano na Assembleia da República.

Num comunicado enviado à Lusa, a Direção da Organização Regional de Beja (DORBE) do PCP refere que as supressões são "más decisões" que confirmam que o Governo PS e a CP "continuam a agir sem nenhuma consideração" pelos utentes da Linha do Alentejo e exige uma "solução" para o troço Beja/Casa Branca, que "urge ser eletrificado".

Também num comunicado enviado à Lusa, a social-democrata Nilza de Sena lembra que, nos últimos anos, "tem sido notório o grau de degradação" das automotoras e os "atrasos recorrentes" nas viagens de comboio e recomenda que se "acautele" o estado das carruagens como "mínimo" e "antes que se proceda à eletrificação" do troço.

José Luís Ferreira, de "Os Verdes", também questionou o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas para saber que diligências já foram desencadeadas pelo Governo para cumprir as recomendações e para quando o Executivo prevê concluir o "integral cumprimento" da resolução.

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