Economia

Comissões no Santander Totta estão a "um nível razoável" - presidente executivo

Comissões no Santander Totta estão a "um nível razoável" - presidente executivo

O presidente executivo do Santander Totta afirmou hoje que as comissões bancárias da instituição estão a "um nível razoável", pelo que não deverá haver alterações, embora seja a "evolução do mercado" que vai marcar a política nessa área.

"O nível de comissões que atualmente temos é considerado um nível razoável, não me parece que venha a haver alterações", afirmou aos jornalistas António Vieira Monteiro, na conferência de imprensa dos resultados do Santander Totta relativos a 2017, em Lisboa, quando questionado sobre o tema.

"Mas é a evolução do mercado que vai efetivamente marcar a nossa política nessa área", acrescentou.

As comissões no Santander Totta sobem "sobretudo pelo aumento da transacionalidade que temos com os clientes", não só particulares como empresas.

"O crescimento cada vez maior que temos em clientes quer na área dos particulares, mas sobretudo na área das empresas, leva a que efetivamente pelos serviços que prestamos a essas empresas as comissões tenham crescido e são, se calhar, a grande razão do crescimento de 8,3% no ano passado", justificou.

Sobre a atividade da instituição bancária que comprou o Banco Popular no ano passado, Vieira Monteiro referiu que os lucros subiram 10,3% para 463,3 milhões de euros.

"A diferença que existe entre aquilo que é apresentado por Espanha e aquilo que é apresentado aqui em Portugal são acertos contabilísticos entre a corporação e Portugal, sem importância de maior", explicou.

"Após a aquisição do Banco Popular passamos a ser, em termos de atividade doméstica, o maior banco do ponto de vista de crédito e do ponto de vista de ativos. Passamos a ser, portanto, na atividade doméstica, o segundo banco em Portugal depois da Caixa Geral de Depósitos", sublinhou.

No que respeita à dívida pública, que a instituição tem vindo a vender, o presidente executivo disse que a tendência é de redução.

"Se nós pensarmos que no fim de 2016 tínhamos qualquer coisa como 4,5 milhões de euros de dívida pública, hoje temos 3,5 milhões de euros de dívida pública", isso dá "uma ideia do que é a queda que se dá nessa área", disse aos jornalistas o gestor.

"É fundamentalmente isso que se tem vindo a fazer e nós vamos continuar a ter, em termos de futuro, uma política sempre de cada vez mais a nossa conta, o nosso produto comercial seja feito com atividade 'core' [central] do banco e não com atividade relativamente a operações isoladas de dívida pública, quer de outro tipo dívida pública", acrescentou.

Sobre a venda de carteiras de crédito, António Vieira Monteiro disse que isso vai depender da evolução dos NPL [sigla em inglês de 'non-performing loans', os créditos malparados] e, portanto, será fundamentalmente aí".

Ou seja, "nós vendemos carteiras de créditos que não consideramos que tenham viabilidade futura e que estão devidamente provisionados. Se se tratar de créditos com viabilidade, não entramos num sistema de vendas", afirmou.

"Somos extremamente cuidadosos nessa matéria. Primeiro fazemos uma análise e depois vendemos", acrescentou António Vieira Monteiro.

Questionado se com a integração do Banco Popular no Santander Totta admite vender carteiras de crédito, o presidente executivo disse: "É natural que na análise que venhamos a fazer das carteiras possam efetivamente haver vendas e isso aplica-se também a imóveis e outro tipo de ativos".

O gestor adiantou que o crescimento do crédito a particulares na instituição é inferior ao aumento na área empresarial, apontando que no passado as empresas pesavam 6% na atividade de crédito, quando atualmente representam 47,5%.

"Estamos cada vez mais a equilibrar o balanço. No ano passado, apesar dos crescimentos de produção que tivemos, é verdade que em termos de 'stock' de crédito a particulares cresceu muitíssimo menos do que o 'stock' de crédito a empresas. Nós, Santander Totta, temos uma aposta nas empresas, essa aposta de crescimento é sempre acompanhada de uma política rigorosa de qualidade de crédito", afirmou, considerando que os outros bancos "estão também a ter uma política de qualidade na concessão de crédito".

Sobre a integração do Banco Popular no Santander Totta, Vieira Monteiro disse que "tudo está a correr dentro dos planos normais".

"Não vemos que venhamos a ter problemas de ter a integração totalmente realizada até final do ano de 2018, pouco irá sobrar para o ano 2019", acrescentou.

Sobre se irá haver fusões de balcões, o responsável disse que é "evidente que sim", mas acrescentou que a instituição ainda está a fazer as contas sobre este tema.

O número de balcões que foi alvo de fusão é menos de uma centena até à data.

Relativamente a redução de pessoal, António Vieira Monteiro foi perentório ao afirmar que "o banco Santander Totta nunca fez despedimentos" e que "até agora" a diminuição do quadro foi feita "caso a caso e em contrato e acordos feitos com os próprios trabalhadores".

No entanto, "é evidente que estando perante uma situação de junção de duas instituições e em períodos em que efetivamente o recurso e idas aos bancos diminuem, leva a que nós tenhamos uma política cuidadosa nessa matéria", disse.