Economia

Confederação do Turismo de Portugal considera Orçamento "uma oportunidade perdida"

Confederação do Turismo de Portugal considera Orçamento "uma oportunidade perdida"

O presidente da Confederação do Turismo de Portugal teceu críticas ao Orçamento do Estado, referindo-se ao documento como "mais uma oportunidade perdida de se fazerem importantes reformas", e apelou para que o novo aeroporto seja um "desígnio nacional".

"Em relação a 2018, na confederação estamos algo preocupados e começamos logo com o Orçamento do Estado, que discutimos muito na generalidade -, como sabem, está agora a ser discutido na especialidade. É um orçamento sobre o qual pensamos que se perdeu mais uma oportunidade de se fazerem importantes reformas e, sobretudo, uma das mais antigas leis da economia: só se pode distribuir aquilo que se tem. Não se pode distribuir e depois ir tentar ganhar-se", afirmou o presidente da CTP.

Francisco Calheiros falava para uma plateia composta, essencialmente, por empresários do setor turístico no 43.º Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que terminou hoje em Macau.

"E não tendo nada contra pensioniostas e famílias, só no IRS, pensões e descongelamento de carreiras, estamos a falar de um aumento de despesa de mais de um bilião de euros. E para o outro ano, 1.500 milhões de euros. Qual é a contrapartida? Alguns impostos indiretos (...) e, sobretudo, contar com o crescimento da economia", continuou.

Já em relação há competitividade da economia, diz o responsável da CTP, que "não se vê praticamente nada" neste Orçamento do Estado para o próximo ano.

"Nós que somos empresários sabemos bem nos últimos 10, 20 anos, o que tivemos que fazer nas nossas empresas. As alterações profundíssimas que as nossas empresas têm vindo a sofrer. E o que é que vimos do Estado? O que é que alterou na justiça, na Segurança Social, na educação? Nada", disse também, acrescentando, por isso, achar "que se perdeu mais uma grande oportunidade, num ano em que para já os sinais são bons, e também a nível internacional, com taxas de juro, petróleo, entre outros indicadores, a níveis tão baixos.

Já em relação ao apoio às empresas", a CTP - parceira social - diz que "também muito tentou", tal como todas "as confederações com assento [na Concertação Social], mas que "pouco, muito pouco" se conseguiu.

"Lutámos bastante pela dedutibilidade do IVA e não tivemos qualquer resposta, vi que a derrama para empresas com lucros acima de 35 milhões foi aprovada... vamos ver para o ano e para os outros dois se fica pelos 35 milhões. Neste momento não podemos ter um aumento da carga fiscal. Temos é que ter investimento", acrescentou.

Outra das preocupações de Francisco Calheiros é a possibilidade da legislação laboral "estar em cima da mesa".

"Isto é algo que preocupa e muito - e bem - todos os empresários, não só do Turismo, como outros, nesta atividade específica em que a sazonalidade existe e há de continuar a existir", disse.

"Não estou minimamente descansado", reforçou o presidente da CTP.

Por último, Francisco Calheiros referiu ainda uma grande preocupação, que é "a velha discussão do aeroporto".

"Temos que olhar para ele como um desígnio nacional. Sou sensível às questões da força aérea, às questões ambientais, às questões autárquicas, tudo isso é importante, mas nada pode objetar que o nosso Portela+1 seja rápido. Não pode ser em 2022. Talvez nem em 2021 já", concluiu.