Economia

Empresas em baldio motivam alerta a Catarina Martins (BE) em freguesia da Lousã

Empresas em baldio motivam alerta a Catarina Martins (BE) em freguesia da Lousã

Compartes dos baldios de Serpins, concelho da Lousã, alertaram hoje para a necessidade de regularização da posse dos terrenos do polo industrial local, num documento que entregaram à coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins.

Realçando que "a regularização desta situação continua por se fazer", os compartes José Manuel Sequeira e António José Ferreira, residentes naquela freguesia da Lousã, no distrito de Coimbra, apresentaram a Catarina Martins um memorando sobre "problemas e ilegalidades" com os baldios de Serpins.

"Os empresários continuam com as empresas em terrenos a que não podem chamar de seus", enquanto, por outro lado, "as infraestruturas que deveriam ser criadas para se ter efetivamente um polo industrial continuam sem existir", segundo o mesmo documento.

A coordenadora do BE visitou hoje a empresa de carpintaria e mobiliário Movicarvalho, que emprega 17 pessoas, e a Serpins Adelinos, unidade com 11 trabalhadores, ligada ao setor florestal, que transforma e comercializa lenhas diversas, ambas destruídas quase na totalidade pelos incêndios de 15 e 16 de outubro.

Existem três unidades industriais no polo do Vale da Ursa, em terrenos baldios, todas "autorizadas pela Junta de Freguesia" de Serpins.

"Apesar de as juntas de freguesia, câmaras e governos terem sido da mesma cor ao longo destes anos, com exceção do último governo do PSD, a regularização desta situação continua por se fazer", referem os compartes subscritores da exposição.

O último incêndio, há um mês, devastou a Mata do Sobral, um baldio com 540 hectares de área, onde predominavam espécies autóctones como sobreiros, carvalhos e medronheiros, e que já tinha sido consumida por outro fogo há 27 anos.

A freguesia de Serpins dispõe ainda dos baldios do Braçal (164 hectares) e da Cabeça Gorda (22 hectares), mas a mesa da assembleia de compartes "não marca qualquer reunião" desde 2013, alertaram os cidadãos José Manuel Sequeira e António José Ferreira no contacto com Catarina Martins e os deputados bloquistas José Manuel Pureza e Heitor Sousa, à margem da visita destes à empresa Movicarvalho.

"Há um desaproveitamento total dos baldios" de Serpins, cuja cogestão é assegurada em associação com o Estado, através do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), tendo os compartes confiado a sua responsabilidade à Junta de Freguesia, atualmente liderada por João Pereira, do PS.

Os baldios locais estão "sem quaisquer planos de intervenção que levem em conta a sua sustentabilidade ecológica, paisagística ou outra", alertam no documento, dando o exemplo da Mata do Sobral, onde "milhares de sobreiros" já tinham ardido, em finais do século passado, mas "dos quais nunca foi retirada qualquer cortiça, sendo que apenas há cerca de um ano foi iniciada uma intervenção com apoios comunitários".

Para esta intervenção, não houve "qualquer conhecimento, discussão ou intervenção dos compartes", lamentaram José Manuel Sequeira e António José Ferreira na denúncia escrita a que a agência Lusa teve acesso.