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Escritor Alexandre Parafita vai à cadeia de Bragança falar do povo e das lendas

Escritor Alexandre Parafita vai à cadeia de Bragança falar do povo e das lendas

As lendas que povoam a memória e os saberes do povo são o tema para uma conversa entre reclusos e o escritor transmontano Alexandre Parafita que vai à cadeia de Bragança, na segunda-feira, para um colóquio-debate.

O escritor e etnógrafo tem-se dedicado a recolher este património transmontano, sobretudo da zona duriense, e vai falar, na segunda-feira à tarde, com os reclusos da cadeia de Bragança sobre "os saberes do povo e a origem das lendas", conhecidas de alguma da população do estabelecimento prisional".

Esta conversa "pode reelaborar as memórias de alguns", como disse à Lusa o escritor, realçando que há entre esta população quem tenha pessoas conhecidas nas aldeias ou eles próprios têm as suas origens nestas comunidades guardiãs de contos, lendas e superstições.

A iniciativa na cadeia é organizada pelas bibliotecas do Agrupamento de Escolas Abade de Baçal de Bragança e pelos docentes e direção do estabelecimento prisional.

"Pretende despertar sentimentos de autoestima e cultivo da cidadania, através do reconhecimento e valorização da memória e da identidade cultural de que o património imaterial dos povos é portador", indicou Alexandre Parafita.

Autor de obras nos domínios da antropologia e etnografia, o escritor reconhece, como especificou à Lusa, "nas mensagens simbólicas que passam de geração em geração através do património cultural imaterial, grande riqueza ética e muito valiosa no quadro de uma formação para a cidadania".

O objetivo do debate na cadeia de Bragança "insere-se também numa preocupação de recuperar e valorizar os testemunhos de vida dos reclusos, no quadro de um reconhecimento do património oral".

"Também eles são portadores de memórias, lendas, contos de tradição oral ou expressões da religiosidade que receberam dos seus pais e avós", enfatizou.

Alexandre Parafita, professor e investigador na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), é autor de várias dezenas de obras nos domínios da literatura para a infância e da antropologia e etnografia.

É um dos responsáveis pelo Arquivo e Catálogo do Corpus Lendário Português e grande parte dos seus livros integra o Plano Nacional de Leitura.