Economia

Governo não avança com renegociação da dívida por medo da ortodoxia europeia - BE

Governo não avança com renegociação da dívida por medo da ortodoxia europeia - BE

A coordenadora bloquista criticou hoje o Governo por ainda não ter avançado com o projeto de renegociação da dívida pública por medo da reação violenta da "ortodoxia europeia", avisando que o executivo se obriga a metas do défice contraproducentes.

Durante o discurso na sessão de abertura da cimeira europeia "Plano B", que até domingo decorre em Lisboa, Catarina Martins recordou que foi feito um relatório com especialistas do BE, do PS, do Governo e até independentes, tendo-se chegado a "um projeto de reestruturação, de renegociação da dívida pública junto dos credores institucionais que permitiria baixar a dívida pública para 90% do PIB".

"Projeto que é consensual em largos setores, que não coloca verdadeiramente grandes problemas e que mesmo assim não avança porque o Governo português teme que a ortodoxia europeia reaja de forma violenta e não quer mexer em nada. A cada dia que nós não mexemos em nada, fica tudo pior", criticou.

Na opinião da líder do BE "o que retira dinheiro aos serviços públicos e ao investimento público não são salários nem pensões", mas sim "juros de uma dívida pública que é um problema europeu e que tem ser resolvido para lá das condições concretas da economia portuguesa, que tem que ser renegociada".

"O Governo obriga-se - e não devia -a metas de défice que são contraproducentes para recuperação da economia do nosso país", condenou.

Catarina Martins recordou que, segundo o PS, primeiro havia a esperança que a França fosse pôr este problema em cima da mesa, depois falavam de Itália e por fim - já com o relatório pronto e assinado - foi preciso esperar pelas eleições alemãs porque aí viriam as condições para propor uma renegociação.

"Foram e vieram as eleições em França e na Alemanha e sabemos que as condições da União Europeia não melhoraram para nenhum destes processos. Temos de saber da urgência de processos que permitam proteger o Estado social, os serviços públicos, as condições de vida concreta de cada um", defendeu.

O BE, de acordo com a sua líder, não desiste de "nenhuma das mudanças estruturais que é preciso fazer".

Catarina Martins introduziu o tema da renegociação da dívida quando falou, para os participantes internacionais presentes na sala, da atual solução governativa, segundo a qual os partidos de esquerda apoiam parlamentarmente o Governo minoritário do PS.

A líder do BE deu os exemplos daquilo que tinha sido conseguido para parar o empobrecimento e devolver os rendimentos do trabalho, mas admitiu que "não está tudo bem", estando-se ainda "longe disso".

"É preciso ter noção de que há tanta coisa que corre mal", disse, dando o exemplo da dívida pública, que "está bem acima dos 120% do PIB, está praticamente em 130 por cento".

Catarina Martins exemplificou que "Portugal gasta por ano mais com juros da dívida pública do que com todo o seu Serviço Nacional de Saúde", o que advertiu ser "um problema grave", porque "cada ano em que isto se prolonga, é o ano em que o país fica mais frágil".