Nacional

Incêndios: Dezenas de pessoas, a maioria estrangeiros, pediram "mudança" em Pedrógão Grande

Incêndios: Dezenas de pessoas, a maioria estrangeiros, pediram "mudança" em Pedrógão Grande

Largas dezenas de pessoas, a maioria estrangeiros, juntaram-se hoje no Jardim da Devesa, em Pedrógão Grande, numa concentração pacífica a pedir por uma mudança na floresta da região.

"E agora?", era a pergunta lançada num cartaz à porta do jardim, na sede do concelho devastado por um incêndio em junho.

Dentro da Devesa, largas dezenas de pessoas juntaram-se para pedir mudança - apelo lançado maioritariamente em inglês pela comunidade estrangeira que reside no norte do distrito de Leiria.

"Nada vive com os eucaliptos. Não se ouvem os pássaros a cantar, não se veem outros animais ou outras árvores. É como se fosse um relvado que se corta e que se vende, de dez em dez anos", protestou Judith Irwin, de 68 anos, que vive em Figueiró dos Vinhos.

Juntamente com o marido Keith, empunhava cartazes contra "as monoculturas".

"Gostávamos de ser uma força ativa [na região], mas tem de ser toda a comunidade", contaram, sublinhando que não querem "ressentimento" por parte dos locais.

Rob, que há cinco anos trocou Inglaterra por uma pequena aldeia de Pedrógão Grande, sublinha que gostava "de ter visto mais locais" na concentração, onde a grande maioria eram estrangeiros.

"Não há justificação para nada mudar", frisou.

Também Lou Hopla-Clements, Jane Clark e June Roost, deslocaram-se das suas casas em Ansião e Penela para marcar "uma posição" por causa da necessidade de mudança na floresta portuguesa.

"Não há muitos portugueses, porque eles sentem que não dá para mudar nada", explicou June Roost, que há dois anos que tenta obrigar vizinhos a limpar matas, mas, mesmo após a chamada da GNR, nada é resolvido.

"É como bater com a cabeça numa parede de cimento", conta a natural de Inglaterra, que sublinha que, para além de uma mudança de gestão da floresta, é necessário a aplicação das leis de faixas de proteção em torno das casas e das estradas.

Maria Teresa da Silva, presidente da Casa de Pedrógão Grande em Lisboa, é das poucas pessoas portuguesas na concentração.

"Onde estão os portugueses? É sintomático. A consciencialização ainda não chegou aos pedroguenses. Não é sentido como um problema de todos", nota, sublinhando que a Casa de Pedrógão Grande tem tentado passar a mensagem para uma mudança no planeamento e ordenamento da floresta.

Mudança da relação com a floresta e o meio rural e atração de jovens para o território são duas questões-chave, sublinhou.

"Não conseguimos fazer nada sem pessoas", frisou Maria Teresa da Silva.