Nacional

Incêndios: Manifestação solidária juntou cerca de 250 pessoas na Guarda

Incêndios: Manifestação solidária juntou cerca de 250 pessoas na Guarda

Cerca de 250 pessoas participaram hoje na cidade da Guarda numa manifestação de solidariedade para com as vítimas dos incêndios, que incluiu um minuto de silêncio e a formação de uma bandeira nacional gigante.

O protesto pacífico, realizado na praça Velha, no centro da Guarda, integrou, pelas 17:00, um minuto de silêncio em memória das vítimas dos fogos e a organização de uma gigante e simbólica bandeira humana, que ficou registada em fotografia e vídeo por um drone.

Na iniciativa do grupo de cidadãos "Basta! Por Um Futuro Sustentável!" participaram cidadãos anónimos, autarcas e políticos locais.

Hugo Moreira, um dos organizadores, disse à agência Lusa que a manifestação pretendeu homenagear as pessoas que perderam a vida nos incêndios e aquelas que "perderam a vida toda", pois "há muita gente que perdeu a vida toda: as suas fábricas, os seus empregos, os seus animais".

Referiu que o país conheceu "uma grande tragédia" e a jornada hoje realizada pretendeu "mostrar aos políticos que está na hora de se preocuparem com as pessoas" e de procurarem "mudar políticas".

Quem também defende uma mudança de política é Pedro Nobre, deputado municipal na Guarda eleito pelo PSD, ao pedir mais atenção para as regiões do interior do país.

"Há muito que defendo um Ministério para o Interior, dotado de verbas e de poderes para ajudar a desenvolver este interior cada vez mais deserto de pessoas e bens. Definitivamente, o Governo terá que olhar para o interior e privilegiá-lo com medidas futuras", disse à Lusa.

Pedro Nobres esteve na manifestação para demonstrar a sua solidariedade para "com todas as pessoas vítimas dos incêndios, não só com as que perderam a vida, mas com aquelas que perderam os bens resultantes de uma vida de trabalho".

O presidente da Federação Socialista da Guarda, António Saraiva, também participou na iniciativa, prestando "uma singela homenagem a todas as vítimas que pereceram nas tragédias que assolaram o país" e a "todos aqueles que perderam os seus bens, para além dos entes queridos".

O socialista referiu que o Governo já tomou medidas para dizer que "está com o interior", mas defende "medidas mais concretas".

"O Governo terá que pensar a sério em criar uma estrutura específica, uma Secretaria de Estado para o Interior, que tenha uma autonomia e uma política própria para dizer 'vamos em frente e inverter a espiral de abandono que tem tido o interior'", disse.

Durante a manifestação realizada na Guarda dois dos participantes exibiram cartazes com as mensagens "Por um interior com pessoas e com árvores" e "Natureza! Desculpa, não sei fazer melhor. Falhei".

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 44 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves.

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões norte e centro.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande, em junho deste ano, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG