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Solar seiscentista em Coimbra classificado como monumento de interesse público

Solar seiscentista em Coimbra classificado como monumento de interesse público

O solar da Quinta do Regalo, de origem seiscentista, e respetivos jardins, capela, telheiro, fonte e tanque, na Geria, na periferia da cidade de Coimbra, foi classificado como monumento de interesse público.

A portaria, emitida pelo Ministério da Cultura e publicada hoje no Diário da República, explica a classificação com o facto de a Quinta do Regalo constituir "um raro testemunho, na região, de uma quinta de veraneio de raiz primo-seiscentista, bom exemplo das casas nobres secundárias e de vocação lúdica das famílias ilustres coimbrãs".

Embora a propriedade, situada na União das Freguesias de Antuzede e Vil de Matos, no concelho de Coimbra, "já não se encontre íntegra e o solar tenha sofrido obras francamente descaracterizadoras, ambos conservam ainda características que justificam a classificação", afirma o diploma, que também fixa a "zona de proteção especial" do conjunto patrimonial.

"O núcleo fundamental é essencialmente composto pelo solar rural, pela capela com telheiro anexo e pelos jardins, onde se encontra a original casa de fresco, ou regalo, centrada pela fonte que alimenta o tanque", descreve a portaria, referindo que "este conjunto é delimitado por muro com portão de aparato, outrora armoriado".

Destaque também para "as varandas alpendradas e os miradouros da casa de habitação, ainda hoje voltados para uma paisagem florestal e agrícola, mas facultando igualmente uma ampla panorâmica" sobre Coimbra, características reveladoras não só do "caráter misto, de recreio e produção, deste tipo de propriedade, como a sua dependência assumida perante a cidade, sede principal das linhagens titulares".

A zona especial de proteção, definida no mesmo diploma (Portaria n.º 462/2017), visa "preservar a propriedade no seu enquadramento e contexto material, garantindo as perspetivas de contemplação e os pontos de vista que constituem a respetiva bacia visual, e acautelando o impacto de futuras intervenções potencialmente descaracterizadoras no território vizinho".

A Quinta do Regalo, na margem norte do Mondego, era, na sua origem (final do século XVI e início do século XVII), uma habitação rural de veraneio, "como tantas outras da mesma tipologia edificadas nas áreas junto ao rio, onde muitas famílias que habitavam na cidade tinham quintas de recreio", descreve a Direção-Geral do Património Cultural, na sua página na internet.

O interior do solar, com dois pisos, que foi remodelado nos finais do século XX, "mantém as funções habitacionais, respeitando a disposição original das salas, que obedeciam aos pressupostos da tratadística seiscentista, que consignavam o piso térreo aos espaços de serviço e o andar nobre aos de lazer e privados", acrescenta.

A Quinta do Regalo "terá sido mandada edificar pela família Pereira Coutinho, originária de Coimbra, que se destacou por integrar os primeiros capitães donatários da Capitania da Bahia de Todos os Santos".