Economia

Odebrecht afirma que apoiou "com certeza" políticos peruanos como líder da oposição

Odebrecht afirma que apoiou "com certeza" políticos peruanos como líder da oposição

Lima, 30 de (Lusa) -- O empresário brasileiro Marcelo Odebrecht declarou às autoridades do Peru que "com certeza" que a sua empresa apoiou políticos peruanos, como a líder da oposição Keiko Fujimori.

"Com certeza apoiámos todos. Toledo [ ex-presidente], Alan Garcia [ex-preidente], Humala [líder do Partido Nacionalista], Keiko", afirmou Odebrecht em novembro passado, segundo revela hoje uma investigação jornalística do portal IDL -- Repórteres, publicando pela primeira vez o áudio e a transcrição da declaração feita aos procuradores peruanos.

"A nossa intenção era de apoiar. A muitos candidatos da oposição, mesmo sabendo que não iam ser eleitos, apoiávamos de alguma maneira. Porque a oposição também pode criar problemas. Uma maneira de criar uma rede é apoiar", disse ainda o empresário brasileiro.

Segundo a transcrição, Odebrecht disse ainda que considera que o atual presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, "foi contratado como consultor económico de algumas consultoras depois de ser ministro e antes de ser candidato".

Afirmou que assistiu pessoalmente a duas conferências dadas por Kuczynski a dirigentes da sua empresa e lá ouviu as suas palavras e que "tinha dado consultoria económica".

"Imagino que a conferência não foi dada gratuitamente e que a consultoria também não foi de graça. Soube da consultoria e soube da conferência. Ninguém me disse: contratei por tanto. Por isso há que ter cuidado", assinalou.

Kuczynski enfrentou na semana passada um pedido de destituição do cargo apresentado por um setor da oposição no Congresso depois de ser revelado que uma empresa sua havia dado consultorias à construtora Odebrecht entre 2004 e 2007, um período durante o qual foi ministro do governo de Toledo (2001-2006).

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Nas declarações de Odebrecht, ao referir-se à líder da oposição Keiko Fujimori, contou que disse aos seus representantes no Peru para "apoiar mais Keiko para fazer o mesmo processo da Venezuela".

Keiko recusou nos últimos meses ter recebido financiamento da Odebrecht depois de ter sido revelado que existia uma anotação do empresário que indicava "aumentar Keiko 500".

Odebrecht afirmou nas declarações aos procuradores peruanos que nunca chegou a encontrar-se com Keiko e disse que o seu representante no Peru terá a informação sobre o financiamento. Mas considerou "quase certo" que houve uma "contribuição à campanha e ao partido [de Keiko Fujimori]" e que a sua anotação se deverá referir a 500 mil dólares.

O presidente Kuczynski e Keiko Fujimori foram interrogados esta semana, separadamente, por procuradores que investigam o caso Odebrecht.

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