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Parlamento deve promover reutilização de materiais duráveis - Zero

Parlamento deve promover reutilização de materiais duráveis - Zero

Os ambientalistas da Zero defenderam hoje que o parlamento deve promover a reutilização de materiais duráveis e não se limitar a reduzir os plásticos descartáveis na restauração, devendo estes ser mais caros quando o uso for necessário.

"A solução não está em substituir o plástico por outros materiais (mesmo que sejam biodegradáveis) e manter os mesmos hábitos de produção e consumo de utilização única, mas antes, alterar o paradigma e estimular o uso de materiais duráveis e reutilizáveis", aponta a Associação Sistema Terrestre Sustentável, Zero, em comunicado.

A Zero salientou que, quando seja mesmo necessário utilizar materiais descartáveis, "só devem ser usados materiais que sejam recicláveis e sejam efetivamente reciclados ou compostáveis (em compostagem doméstica)".

No entanto, a sua utilização "deve ser penalizada através do preço de forma a desincentivar ao máximo a sua utilização. Deve ser cada vez mais uma exceção e não a regra", realçam os ambientalistas.

Projetos de lei de cinco partidos - PAN, PEV, BE, PCP e PSD - sobre a proibição da utilização de loiça de plástico descartável em várias áreas da restauração, serão debatidos na sexta-feira na Assembleia da República.

Para a associação, esta é uma medida de grande importância para promover uma economia circular e uso mais sustentável de recursos, mas "deve seguir um conjunto de pressupostos para que não seja mais do mesmo", nomeadamente desincentivar a cultura do uso descartável, para qualquer material.

Está em causa a transição de uma economia linear, em que são extraídos recursos à natureza, são usados e deitados fora, para uma economia circular, com base na redução do uso dos materiais primários e na aposta na reciclagem e reutilização de produtos.

Não deixam de alertar que os materiais biodegradáveis podem ser interessantes em algumas situações, mas podem causar problemas de reciclagem, caso sejam misturados com recicláveis e necessitam de muitos recursos para serem produzidos.

"Os materiais, mesmo sendo recicláveis, podem não ser reciclados por questões técnicas, pelo seu baixo valor económico ou por não serem embalagens e não estarem abrangidos pela responsabilidade alargada do produtor, pelo que ser classificado como reciclável não é suficiente. Há que garantir a sua entrada no ciclo produtivo", aponta ainda a associação de defesa do ambiente.

Defende que deve ser promovido um período de adaptação para que setores como as companhias aéreas ou o 'take away' tenham algum tempo para alterarem os seus processos e promoverem soluções de reutilização.

"A Zero espera que os nossos representantes políticos tenham presente o desafio que temos em mãos no sentido de conseguirmos viver dentro dos limites do planeta. Os cidadãos estão disponíveis para apoiar a mudança necessária. Amanhã veremos se os nossos representantes políticos estão à altura", resume.