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Património Cultural deve ser central nas preocupações da sociedade - Oliveira Martins

Património Cultural deve ser central nas preocupações da sociedade - Oliveira Martins

O coordenador nacional do Ano Europeu do Património Cultural (AEPC), Guilherme d'Oliveira Martins, defende que o património cultural deve estar no centro das preocupações de uma sociedade moderna, que se deve preocupar com a memória.

Guilherme d'Oliveira Martins, em entrevista à agência Lusa, chamou a atenção para o caráter transversal do Património Cultural, que se liga ao Ordenamento do Território, à Educação, à criação de emprego, ao Ambiente, ao Turismo, entre outras áreas.

As "políticas culturais são uma exigência transversal para todos e não a cereja no topo do bolo, nem são um luxo", advertiu.

"Ao falarmos do património cultural estamos no coração das preocupações que não podem deixar de existir numa sociedade moderna, que se tem que preocupar com a sua memória", asseverou Guilherme d'Oliveira Martins, antigo ministro das Finanças e da Educação.

Oliveira Martins reconheceu que há resistências às políticas culturais e enfatizou que "é contra essas resistências que [é preciso] agir".

"Este AEPC é justamente a demonstração de que não se trata de um luxo, não se trata de algo marginal, mas de algo central", sublinhou, acrescentando que "se não houvesse resistências não seria necessário fazer-se o AEPC".

O responsável defendeu a criação de roteiros culturais que "permitam chamar à atenção do turista, mas também do cidadão comum", e que incentive "um melhor conhecimento da História e do património".

Questionado sobre o crescimento turístico, que se refletiu num aumento de visitas aos museus e monumentos nacionais, Oliveira Martins argumentou que "Portugal tem é de se organizar melhor para acolher o turismo".

"Nós devemos garantir as melhores condições para os turistas que nos visitam e, portanto, o que temos de fazer, como se faz nos países mais desenvolvidos, é de encontrar soluções para todos usufruírem da melhor maneira aquilo que temos para dar, não se trata de fechar a porta ou restringir, mas que as visitas se façam nas melhores condições", declarou.

Oliveira Martins defendeu ser preferível fechar as portas de um monumento que "deixá-lo à cobiça" e sugeriu que se guarde determinado bem, evitando uma deterioração por excessiva exibição ou até por uma má intervenção de restauro.

"Devemos ter a consciência de que aquele bem deve ser preservado, guardado, protegido, da cobiça ou da intervenção desadequada", defendeu.

Assim, "em determinadas situações é necessário ter um especial cuidado e não fazer intervenções que ponham em causa o valor e a qualidade do Património; uma intervenção fora do tempo ou por alguém que não é especialista é pior que guardar a coisa, pois numa intervenção desadequada pode destruir o que foi preservado ao longo de vários séculos".

O atual administrador da Fundação Calouste Gulbenkian afirma que é preciso "sempre adequar a situação aos recursos", defendendo que se deve ser exigente e "evitar a tentação de lançar dinheiro sobre os problemas", pois muitas vezes a tomada de consciência de um valor cultural é muito mais importante que todos os programas específicos.

Oliveira Martins referiu ainda que "os atentados [contra a paisagem patrimonial] que tanta vezes infelizmente [se presenciam], devem-se à não-consideração pela articulação necessária entre a defesa do património e a criação contemporânea, que não pode comprometer o valor daquilo que [se recebe]", pelo que é necessário "um cuidado extremo".