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Pedrógão Grande: ARS Centro diz que resposta da saúde está ajustada às necessidades

Pedrógão Grande: ARS Centro diz que resposta da saúde está ajustada às necessidades

A Administração Regional de Saúde disse hoje que a resposta dos serviços na zona de Pedrógão Grande está "ajustada às necessidades" e que foram realizadas 1.291 consultas de saúde mental, até à primeira semana deste mês.

A Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) afirmou, num comunicado, que já foram realizados até à primeira semana deste mês 1.291 consultas e 346 domicílios na área da saúde mental, na região afetada pelo incêndio de Pedrógão Grande.

O esclarecimento enviado hoje à agência Lusa surge depois de a Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG) ter denunciado que a resposta de apoio psicológico está a falhar no terreno, defendendo um apoio especializado e porta-a-porta.

Apesar de referir que a resposta está ajustada, a nota da ARSC assinada pelo seu presidente, José Tereso, refere que a entidade "está disponível para, em articulação com as associações de vítimas, ajustar a resposta, em função de necessidades que venham a ser consideradas ou identificadas".

Segundo a nota, há um total de 21 profissionais de saúde especializados (médicos de psiquiatria, psicólogos, assistentes sociais e enfermeiros) na área de intervenção do concelho de Pedrógão Grande, "além dos profissionais da rede de cuidados de saúde primários do SNS [Serviço Nacional de Saúde]" nos concelhos.

Os profissionais, explica José Tereso, estão organizados em "equipas multidisciplinares, coordenadas pela Unidade de Saúde Mental Comunitária", assegurando "uma resposta especializada, adequada e de proximidade, com deslocação de psicólogos e de enfermeiros das unidades de cuidados na comunidade às zonas mais afetadas dos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera".

A nota acrescenta que "os casos passíveis de referenciação são encaminhados para os serviços de psiquiatria hospitalar, incluindo serviço de pedopsiquiatria" e que a equipa de trauma psicogénico do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra "reforça a prontidão na resposta especializada, sempre que solicitado".

A capacidade de resposta, sublinha o responsável da ARSC, "nunca foi ultrapassada", sendo que os serviços de saúde "têm mantido uma articulação estreita e permanente com as câmaras municipais, tendo em vista a gestão de eventuais constrangimentos ou necessidades".

Hoje, a presidente da AVIPG, Nádia Piazza, referiu que as pessoas estão a ser encaminhadas para os cuidados de saúde primários, quando deveriam ter "um acompanhamento especializado em trauma e luto", na casa das pessoas.

"Estamos a ser remetidos para o sistema primário de saúde. Não é assim que se trabalha uma comunidade de desastre", disse aos jornalistas a responsável da associação, que reconhece que o Estado tem atuado, "mas muito por sinalização".

De acordo com Nádia Piazza, já há pessoas que recorrem ao privado com os seus próprios recursos "para tratar de questões muito mais especializadas".