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Plataforma das ONG defende regionalização económica para Cabo Verde

Plataforma das ONG defende regionalização económica para Cabo Verde

O presidente da plataforma das Organizações Não Governamentais (ONG) de Cabo Verde, Jacinto Santos, disse hoje que, independentemente do figurino que se vier a encontrar, o país deve dar prioridade à regionalização económica.

"Independentemente do figurino que se vier a encontrar para a regionalização, a prioridade é a regionalização económica, regionalizar os investimentos públicos estruturantes, fazer políticas ativas de discriminação positiva para elevar esses espaços territoriais deprimidos e em subdesenvolvimento", defendeu.

O presidente da plataforma das ONG cabo-verdiana falava à imprensa no âmbito do IV Fórum Mundial de Desenvolvimento Económico Local, que está a decorrer na cidade da Praia.

Segundo o responsável associativo, com a regionalização económica pode-se evitar que o país tenha "nove ilhas a gravitar à volta de três, que gerem e consomem todos os recursos".

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), as ilhas de Santiago (54,9%) São Vicente (16,0%) e Sal (10,4%) contribuem com 81% do Produto Interno Bruto (PIB) de Cabo Verde.

Para Jacinto Santos, significa que há mais seis ilhas habitadas e todo o interior da ilha de Santiago num "atraso e subdesenvolvimento confrangedor".

Por isso, entendeu que o objetivo do desenvolvimento sustentável devia eleger as ilhas da Brava, Fogo, Maio, Santo Antão, São Nicolau e o espaço rural da ilha de Santiago como "prioridade" de intervenção, com programas para promover crescimento acelerado.

"Cabo Verde precisa de um processo de transformação acelerado para colocarmos a desigualdade territorial a um nível aceitável. O que está a acontecer em Cabo Verde é inaceitável, 42 anos depois da independência", criticou Jacinto Santos.

O presidente entendeu que as desigualdades entre as ilhas cabo-verdianas têm implicações no processo de redistribuição dos recursos, que acaba por gerar "sentimentos de injustiça e anti-Estado".

"Na solidariedade é para distribuir, mas temos que criar condições para as pessoas que estão na Brava ou em São Nicolau, por exemplo, também se sintam orgulhosos de estarem a produzir para a riqueza do país", apontou.

A regionalização tem gerado várias discussões em Cabo Verde, tendo o partido que suporta o Governo, Movimento para a Democracia (MpD), apresentado uma proposta para a criação de 10 regiões administrativas, uma por cada ilha, sendo que Santiago, a maior do país, seria dividida em duas regiões.

A proposta exige maioria qualificada no Parlamento para a sua aprovação.

Em relação ao Fórum, Jacinto Santos considerou que vai servir para uma "grande tomada de consciência" de que "não basta fazer planos bonitos", mas sim planos de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, "a partir do território, lá onde estão as pessoas, os atores".

A partir de agora, o presidente da plataforma das ONG espera que os atores locais e outros "apropriem" os indicadores para "induzir o processo de transformação".

O Fórum Mundial de Desenvolvimento Económico Local, que pela primeira vez se realiza num país africano, decorre, na cidade da Praia, até sexta-feira, com cerca de três mil participantes, mais de 80 países e mais de 190 conferencistas.