Economia

Recuperação na zona euro é robusta, mas inflação ainda precisa de apoio - Draghi

Recuperação na zona euro é robusta, mas inflação ainda precisa de apoio - Draghi

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, destacou hoje que a recuperação económica da zona euro é "robusta, endógena" e com "maior resiliência", mas advertiu que a evolução da inflação ainda precisa de apoio da entidade.

Numa conferência sobre a banca europeia em Frankfurt, Draghi disse que é preciso uma abordagem "paciente e persistente" das medidas de política monetária para assegurar a estabilidade de preços a médio prazo.

O dirigente italiano disse que a zona euro vive "uma sólida expansão económica" e que os dados e projeções apontam para "um momento de crescimento" que não cessa no futuro próximo.

Draghi considerou que os motores do crescimento "são cada vez mais endógenos em vez de exógenos" e recordou que inicialmente a recuperação foi impulsionada pela forte queda dos preços do petróleo e pela política monetária.

"Agora vemos sinais de crescimento [...] sem necessidade de impulsos externos", afirmou.

Quanto à inflação, Draghi disse que os progressos ainda são "incompletos e parciais" para se alcançar o objetivo do BCE de uma inflação perto, mas ligeiramente abaixo de 2%.

Pouco depois de Draghi, a conferência teve como orador o presidente do Bundesbank (banco central alemão), Jens Weidmann, que não hesitou em criticar a política monetária expansionista do BCE.

A instituição decidiu na reunião de política monetária de 26 de outubro reduzir o seu programa de compra de ativos para 30 mil milhões de euros mensais a partir de janeiro, metade do volume atual, mantendo as compras até setembro de 2018 "ou mais tarde, se necessário".

Weidmann indicou que, com uma baixa pressão inflacionista, "continua a ser apropriada" uma política monetária flexível, mas acrescentou que a recuperação económica "avançou mais do que os dados da inflação sugerem" e afirmou que os preços vão aumentar gradualmente aproximando-se do objetivo do BCE.

Por isso, considerou que seria "justificado" manter ainda alguma flexibilidade no próximo ano, mas estabelecer uma data clara para o fim do programa de compra de dívida.