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Trabalhadores de cooperativa do Seixal reclamam subsídios em atraso desde 2014

Trabalhadores de cooperativa do Seixal reclamam subsídios em atraso desde 2014

Dezena e meia de trabalhadores da Cooperativa "Pelo Sonho é que Vamos", em Paio Pires, Seixal, exigiram na quarta-feira o pagamento de subsídios em atraso, mas a direção aguarda pelas decisões de uma assembleia de cooperantes a 17 de fevereiro.

"Queremos respostas da direção. Sabemos que a instituição tem dificuldades, mas tem de se encontrar uma solução e têm de nos pagar os subsídios em atraso", disse a delegada sindical Suzete Ângelo, que também defendeu a necessidade de "mais fiscalização" das entidades que tutelam as IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social).

"Em 2014 já não recebemos o subsídio de Natal e, desde então, só temos recebidos os salários, nunca mais recebemos subsídios", acrescentou Susete Ângelo, lamentando a falta de respostas por parte da direção da cooperativa.

Segundo a vice-presidente da direção da cooperativa, Ana Branco, além do acolhimento de crianças e jovens em risco e de vítimas de violência doméstica, a cooperativa tem ainda duas creches e várias amas que são supervisionadas por técnicos da cooperativa, que presta serviço a "quase 200 utentes" e tem atualmente "cerca de 50 funcionários".

"A cooperativa, que é equiparada a uma IPSS, só teve verdadeira sustentabilidade nos primeiros anos, mas a situação agravou-se com a crise dos últimos anos, principalmente a partir do final do ano de 2014 em que já não houve recursos financeiros para pagar os subsídios de Natal", disse.

"Foi o início do período crítico. Temos tido cada vez menos donativos de particulares e menos apoio de parceiros muito importantes como a Câmara Municipal do Seixal e as Juntas de Freguesia, que sempre nos apoiaram, mas cada vez temos menos recursos e menos donativos", acrescentou.

Ana Branco referiu ainda que a par da redução dos apoios, também aumentaram os níveis de exigência da Segurança Social em termos de equipamentos, quadro de pessoal e atualizações salariais, que não permitiram reduzir o défice da cooperativa.

Para a vice-presidente da direção da Cooperativa, o futuro da instituição depende agora da Assembleia Geral de cooperantes que está marcada para dia 17 de fevereiro.

"Penso que poderemos vir a decidir pela constituição de uma comissão alargada, que integre a direção e alguns cooperantes, para definir uma estratégia que permita resolver os problemas da instituição ou então fechar algumas valências. Neste momento, a instituição, tal como está, não é sustentável", defendeu a vice-presidente.