Economia

Turistas aumentam em Bragança, mas encontram cidade fechada ao fim de semana

Turistas aumentam em Bragança, mas encontram cidade fechada ao fim de semana

Vários operadores turísticos queixaram-se hoje de que Bragança não está a corresponder ao aumento do número de turistas que chegam cada vez em maior número ao fim de semana, mas encontram a cidade "fechada".

Os registos de hotéis e restaurantes confirmam o aumento da procura, sobretudo ao fim de semana, de gente que foge da confusão turística do Porto ou de espanhóis, mas que se queixam de não conseguirem comprar uma lembrança ou produtos regionais por encontrarem tudo fechado ao fim de semana.

A descrição foi feita hoje na apresentação de um novo projeto da Associação Comercial, Industrial e Serviço de Bragança (ACISB), que tem como finalidade contrariar esta realidade e dinamizar o setor, começando com a criação de uma plataforma digital para reunir os diferentes agentes e permitir a potenciais clientes fazerem reservas ou pedirem visitas guiadas.

O projeto tem o nome de "Mais Bragança", sendo financiado pelo Norte 2020 com mais de 220 mil euros do total do investimento próximo dos 259 mil euros, para ser executado até março de 2018.

A ideia foi apresentada hoje aos diferentes agentes do setor do turismo de Bragança como mais uma ferramenta para dinamizar a cidade, como indicou a presidente da associação, Maria João Rodrigues, que apontou a questão do fim de semana como "uma lacuna muito grande que tem" Bragança.

"É necessário mudar as mentalidades, tem sido muito difícil. Eu penso que, tanto a associação comercial, como o município e todos os agentes turísticos, têm tentado mudar essas mentalidades. Aos poucos vamos ver se conseguimos", declarou.

Maciel Silveira é o diretor-geral do Hotel São Lázaro, em Bragança, e contou que ouve frequentemente as queixas dos clientes.

"É preciso a população ajudar um pouco. Os hotéis têm trabalhado, têm funcionado bem os restaurantes, mas também era preciso ter as lojas abertas para eles [turistas] poderem comprar os nossos produtos, porque querem levar o nosso azeite, o nosso fumeiro, trajes, máscaras, e há falta desse comércio durante o fim de semana, que é quando vêm mais os turistas para passear", afirmou.

Desde 2014, esta que é a maior unidade hoteleira de Bragança tem registado um aumento da afluência "muito grande" de turistas.

Segundo concretizou, em termos homólogos, no ano de 2016, por esta altura contabilizavam "17 mil visitantes" e, este ano, "já vão com 22 mil visitantes".

Bragança "é um destino seguro e barato para os estrangeiros" e cada vez mais procurado ao fim de semana, ao contrário do que acontecia antigamente, em que o turismo na cidade era "muito empresarial durante a semana".

Como disse o diretor do hotel, "há moradores do Porto e de Braga - cidades que recebem cada vez mais turistas estrangeiros - que fogem daquela confusão" e passam o fim de semana em Bragança, nas chamadas "escapadinhas".

"Eu tinha nove, dez quartos ocupados ao fim de semana (e) tenho tido, neste ano de 2017, 100/90 quartos todos os fins de semana", indicou.

Também "o turismo espanhol é uma coisa brutal ao fim de semana e aos feriados".

"Quando há um feriado em Espanha, há uma invasão de espanhóis em Bragança muito grande e é o que nos transmitem: querem levar uma recordação e há uma dificuldade muito grande em comprar esses produtos ao fim de semana", disse.

Maciel Silveira defende que iniciativas como a da associação comercial "ajudam, primeiro porque está a juntar a todos, e só com todos a falarem ao mesmo tempo" é que é possível "ver as faltas e as dificuldades que existem na região" e colmatar as mesmas.

Também a empresária Alexandrina Fernandes, que gere várias respostas turísticas na cidade, defende que "os empresários também têm que perceber que têm que ajustar os seus negócios à realidade do que o turista quer".

"Não podemos querer ter as lojas fechadas ao fim de semana, não vale a pena que um turista venha ao centro da cidade e que não veja ninguém na rua, isso é contraproducente", considerou.

Relativamente ao projeto apresentado hoje pela associação comercial, a empresária salienta que "muita da pesquisa turística é feita de forma digital, online" e "todas as plataformas que possam existir são boas".

Porém, espera que este não tenha o desfecho de outros projetos financiados por fundos comunitários que acabaram por não vingar.

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