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UE/África: Saldo comercial favorável à Guiné Equatorial caiu 70% desde 2014

UE/África: Saldo comercial favorável à Guiné Equatorial caiu 70% desde 2014

O saldo da balança comercial entre a União Europeia e a Guiné Equatorial caiu quase 70% desde a descida dos preços do petróleo, em 2014, mas continua favorável ao país africano em 881 milhões de euros.

De acordo com os dados disponibilizados à Lusa pelo instituto oficial de estatísticas da UE, o Eurostat, em vésperas da cimeira entre a União Europeia e a União Africana, o saldo positivo para o mais recente membro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) passou de 2,8 mil milhões de euros, em 2014, para 881,5 milhões de euros no ano passado.

As exportações europeias para a Guiné Equatorial também desceram, tendo passado de 772 milhões de euros em 2014 para quase 440 milhões de euros no ano passado, mas a grande descida no volume de trocas comerciais resulta da descida das compras europeias ao terceiro maior produtor de petróleo na África subsaariana.

Em 2014, a Europa comprava bens e serviços, na sua esmagadora maioria, petróleo, no valor de 3,6 mil milhões de euros, mas no ano seguinte essas compras desceram para 2,2 mil milhões e no ano passado caíram quase 50%, para 1,3 mil milhões de euros.

A Guiné Equatorial é o terceiro maior produtor de petróleo na África subsaariana, bombeando cerca de 200 mil barris de crude diariamente, muito abaixo dos dois maiores, Nigéria e Angola, cuja produção se aproxima dos 2 milhões diários.

A Guiné Equatorial vai enfrentar este ano uma recessão de quase 6%, depois de no passado ter visto a sua economia contrair-se mais de 8%, devido à queda dos preços do petróleo e à diminuição da produção.

De acordo com o relatório Perspetivas Económicas Africanas, divulgado em maio pelo Banco Africano para o Desenvolvimento, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e as Nações Unidas, a Guiné Equatorial precisa de abrir o mercado à integração regional e criar um ambiente de negócios mais saudável.

"Um dos principais desafios para estimular o empreendedorismo é abrir o mercado, particularmente melhorando o clima de negócios e integrando a economia no comércio regional", dizem os peritos no relatório, que aponta críticas à lentidão na diversificação da economia.

Apesar de alguns setores, como a construção, a agricultura, a floresta e as pescas terem melhorado face ao setor petrolífero, esta indústria ainda vale 85% da economia e quase 95% das exportações.

"A materialização da diversificação económica é lenta mas mantém-se um objetivo importante para o crescimento económico e a estabilidade a médio e longo prazo", lê-se no documento, que salienta a necessidade de apostar noutros setores num contexto de redução da produção petrolífera.

"A queda nos preços do petróleo tem efeitos imediatos e duradouros para o Orçamento do país, especialmente já que é acompanhada de um declínio na produção, que só chegou a 155 mil barris por dia em 2015, e registou uma queda de 5% em volume por ano nos últimos dez anos", o que equivale a dizer que a produção petrolífera caiu para metade na última década.

A quinta cimeira UE/África decorre entre 29 e 30 de novembro em Abidjan, a capital económica da Costa do Marfim, com o tema 'Investir na Juventude para um futuro sustentável', e deverá contar com cerca de 80 chefes de Estado e de Governo dos países europeus e africanos

A primeira cimeira UE-África, que se realizou no Cairo (Egito) em 2000, foi promovida por Portugal, durante a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia.

Em 2007, novamente sob a égide da presidência portuguesa, Lisboa acolheu a segunda edição destas cimeiras.