Média

Crítica de televisão: "Nativos digitais"

Crítica de televisão: "Nativos digitais"

A SIC Notícias fez dez anos e celebrou a data. Merecidamente. Vejamos porquê. Ao longo da última década, a informação nas estações generalistas transformou-se numa coisa absolutamente desinteressante. Demasiado tempo de duração, votado a notícias sobre catástrofes, desastres, casos de polícia, casos jurídicos, problemas sociais avulsos. Junta-se a isto uma excessiva promiscuidade com a comunicação institucional da política e dos seus principais actores.

Dramatização, sensacionalismo, imagens espectaculares, recurso excessivo ao directo traduzem-se, cada vez mais, nos jornais televisivos, em informação superficial e descontextualizada. Algo que oscila entre a chamada "informação-espectáculo" e a "informação-entretenimento", em que o valor-notícia se altera e passa a ser notícia o que é insólito, apela às emoções e é capaz de distrair os telespectadores. Ou seja, parece informação mas já não o é verdadeiramente.

A SIC Notícias surge, neste quadro, como um veículo de informação alternativa, caracterizada por um maior aprofundamento e contextualização dos acontecimentos, em diferentes espaços informativos que dão, inclusivamente, a possibilidade ao cidadão comum de expressar a sua opinião. É certo que não está completamente livre do recurso ao "infotenimento". É verdade que a identidade dos seus "telejornais" é recorrentemente desvirtuada pelo comentário. Contudo, ao longo destes dez anos, tem dado, em geral, um contributo muito positivo. Portanto, merece os parabéns.

Na RTP2 um pequeno programa, "Nativos digitais" dá atenção às questões mediáticas, cruzadas com as novas tecnologias em permanente mudança. O "boom" da Internet, o advento dos novos média, a banalização do directo, o aparecimento dos canais de notícias em Portugal foram temas tratados na última edição. Mais uma vez, construíram-se pistas para reflexão do público, no caso vindas de quem vive o dia-a-dia das notícias. É um programa que vale a pena seguir semanalmente.

Falando do universo RTP, importa referir o "RTP Play", um novo interface que permite ver/ouvir TV ou Rádio, escolhendo o que se quiser, para ver/ouvir onde e quando se quiser. Embora com algumas limitações, os conteúdos do grupo RTP podem ser acedidos num computador, num tablet, ou num telemóvel. Estão também disponíveis todos os canais online.

Trata-se de mais uma ferramenta que permite a cada um de nós ser o seu próprio director de programas. Mas é também uma adequação da RTP às transformações tecnológicas, à mudança de perfil dos espectadores de televisão e às novas plataformas a que recorrem, sobretudo, os utilizadores mais jovens. Esses, sim, os verdadeiros "nativos digitais".

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