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"Pesadelo" de João Silva na Galeria JN

"Pesadelo" de João Silva na Galeria JN

São imagens reais que retratam a dor, o sofrimento, a fome e a guerra vivida por este mundo fora. Uma exposição impressionante patente na Galeria JN, no Porto, desde ontem e até ao dia 6 de Julho. 

Visita guiada à exposição em vÍdeo www.jn.pt/multimedia "Pesadelo" é o título da exposição de fotografia de João Silva, luso-sul-africano, inaugurada ontem, na Galeria JN. São várias dezenas de imagens que se reportam a guerras e conflitos, como as do Iraque, Afeganistão, Líbano, Malawi, África do Sul ou Quénia. Joaquim Oliveira, presidente da Controlinveste, José Leite Pereira, director do JN, Isabel Pires de Lima, ex-ministra da Cultura, Isabel Oneto, governadora civil do Porto, Luis Filipe Menezes, presidente da Câmara de Gaia, Mário Dorminsky, Beatriz Pacheco Pereira e Hélder Pacheco foram algumas das individualidades que estiveram presentes na apresentação da mostra. Um dos repórteres de guerra mais conhecidos da actualidade, João Silva evidenciou-se pelo trabalho de cobertura diária da violenta guerra entre os partidários de Nélson Mandela e Buthelezi nos subúrbios de Joanesburgo. Ao serviço do diário norte-americano The New York Times, João Silva também tem estado nos principais palcos de guerra. Ultimamente (de 2007 até agora) já esteve em serviço no Iraque, no Quénia, em África do Sul e entre Outubro e Novembro voltará, de novo, ao Iraque. Segundo realçou, o que mais o impressiona não são as guerras entre os homens, mas sim ver sofrer e morrer à frente dos olhos, inocentes e crianças. "O que me inquieta são as situações de injustiça, de total sofrimento. O ver - olhos nos olhos - tombar crianças, mulheres e idosos sem qualquer culpa, sem qualquer responsabilidade. São autênticos pesadelos". Daí a escolha do título desta exposição. Acrescentou mesmo que são "pesadelos prolongados", não seus, mas, vividos pelo sujeito, pelos protagonistas. "Eu entro e saio dos cenários de guerra, de fome, agora o que me custa bastante é ver morrer crianças famintas ali à frente. Elas não têm culpa nenhuma. Aquelas pessoas estão lá e as que não morrem, entretanto, vivem em pesadelos prolongados, frequentes. Isso sim, é o que me faz pensar e é evidente que, quando disparo a máquina, não me consigo alhear da situação que ali está a um ou dois metros de mim", disse. João Silva recordou uma imagem que tem bem presente na "gaveta da memória" e que se reporta a uma criança que morreu de fome na Somália a uns minutos de receber comida da mãe que estava na fila para obter alimentos. Ela conseguiu, mas a criança não aguentou a espera e morreu. São imagens que, explicou o fotógrafo, "não esqueço, não posso esquecer e lembro-me delas frequentemente". No texto do catálogo, Alfredo Leite, director-adjunto do JN e comissário da exposição, escreve que a lente de João Silva captou, "os piores conflitos do Planeta e e registou o que de mais hediondo o Homem é capaz. Do soldado americano a ser arrastado após ter sido baleado por um atirador furtivo iraquiano, em Karmah, ao homem cadavérico que o HIV aniquila num hospital miserável da África do Sul, passando pelo olhar terno da princesa Diana entre mutilados na guerra angolana, ou pelo trabalho de meninos vendidos pelos pais para escravos da pesca no lago Volta".

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