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Presidente da RTP diz que momentos de crise são boas oportunidades para mudanças

Presidente da RTP diz que momentos de crise são boas oportunidades para mudanças

O presidente do conselho de administração da RTP, Guilherme Costa, considerou esta quarta-feira que restruturar uma empresa sem pressões externas é um cenário mais lento e mais difícil, descrevendo momentos de crise como boas oportunidades para operar mudanças.

"Há momentos para intervir na vida de uma empresa. Quem é gestor sabe disso. Quando não há uma pressão externa, a reconfiguração das atividades da empresa torna-se mais difícil. As empresas são estruturas compostas por pessoas e quando as pessoas não sentem a pressão as restruturações são mais lentas e mais difíceis", disse aos jornalistas à margem de uma conferência sobre «media» organizada em Lisboa pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC).

"A RTP não tem uma postura de tentar passar pelos pingos da chuva", sublinhou, depois de uma intervenção na conferência da APDC e ter descrito os momentos de crise como oportunidades para que mudanças possam ocorrer nas empresas.

O programa do novo Governo, divulgado na terça-feira, prevê que a RTP seja reestruturada para obter "uma forte contenção de custos operacionais" em 2012, tendo em vista a privatização de um dos canais em momento oportuno.

Guilherme Costa disse que enquanto gestor da empresa não emite considerações sobre decisões do acionista e do "poder político legítimo que existe no país e constitui a base desse poder acionista", mas reforçou que a RTP tem "cumprido escrupulosamente" o acordo firmado em 2003 de contenção de custos e tem vindo a melhorar os resultados.

"Pela primeira vez em 19 anos, apresentámos um resultado líquido positivo, apresentámos lucro", registou o gestor, referindo-se às contas de 2010 da RTP. Este desempenho não foi fácil, em particular devido aos "avultados capitais próprios negativos herdados" de anos anteriores a 2003, declarou.

"A contenção de custos continuará e continuará este ano. Esperamos cumprir o plano de redução de 25 milhões de euros dos custos operacionais", sublinhou, referindo-se à redução de 15 por cento dos custos operacionais exigida às empresas públicas.

No que se refere ao plano de contenção de custos iniciado em 2003, o gestor descreveu-o como positivo para a empresa, reconhecendo que tal foi feito com a "participação e algum sacrifício" da generalidade dos trabalhadores da RTP.

"Quando uma empresa se restrutura no sentido de conseguir conter os seus custos, sem perda de qualidade e capacidade de inovação, não tenho dúvidas de dizer que isso é positivo para a empresa", sustentou.

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