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Quando o Mundo chegou com cor a casa

Quando o Mundo chegou com cor a casa

A chegada da cor à televisão portuguesa foi tardia. A primeira emissão regular deu-se em 1980. Mas conseguiu tirar público ao cinema. E, actualmente, o país está a acompanhar bem o passo dos novos avanços para o digital, a alta definição e as três dimensões.

As imagens a preto e branco dão-nos, hoje, a percepção de estarmos a recuar muito no tempo. Porém, a televisão a cores chegou a Portugal há apenas três décadas.

A 7 de Março de 1980 era transmitido para todos os portugueses, desde o Teatro São Luiz, em Lisboa, o primeiro festival da canção... a cores.

Para Júlio Isidro, "não foi a descoberta da pólvora", mas não deixa de ser um "marco simbólico para a história da RTP". O apresentador televisivo recorda antes o dia de 1979 em que Adriano Cerqueira surgiu nos ecrãs "com uma gravata propositadamente muito colorida para se perceberem todos os contrastes de cor", a apresentar os Jogos Sem Fronteiras a cores. Era o ensaio final para a grande mudança no ano seguinte.

O realizador Luís Andrade, ex-director da RTP, dirigiu essa emissão. "Correu muito bem porque a parte mais difícil não era a do realizador". Difícil mesmo foi a imagem. "O rigor do controlo de imagem (garantir a transmissão bem definida das cores), da cenografia, da iluminação e das câmaras foi o mais difícil".

Nessa altura, já a cor não era novidade para Júlio Isidro, que a conhecia desde 72, em Inglaterra. Seja como for, o apresentador considera que "foi uma passagem". O mesmo defende Luís Andrade. "Hoje já estamos noutro nível", sublinha, atrevendo-se a dizer que "o grande passo" é a viragem para o digital e para o novo formato de televisão (o chamado 9x16 ou plasma) em que a fidelidade da imagem pode chegar a ser superior à do cinema. Júlio Isidro concorda que "a alta definição faz uma diferença de qualidade muito grande".

O fim da televisão monocromática foi muito tardio em Portugal, reconhece o investigador da Universidade Católica, Rogério Santos. "A justificação para isso está um pouco na mudança de regime político, em 74, e nas decisões políticas de escolha do sistema de transmissão". "Mas a cor era algo que os espectadores ambicionavam", acrescenta, porque "já havia cor no cinema há muitos anos". O investigador destaca que "em 1985, em Portugal, deu-se o curioso fenómeno de ter baixado o número de espectadores de cinema, seduzidos pela televisão". A recuperação para o cinema só viria na década seguinte.

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