Entrevista

Malato: "Soube que ia ser difícil, mas não tanto" 

Malato: "Soube que ia ser difícil, mas não tanto" 

"Sexta à noite", conduzido por José Carlos Malato, foi de férias mais cedo do que era suposto devido à doença que afectou o apresentador. O seu regresso está, no entanto, previsto para 2009 

José Carlos Malato ficou doente e não pôde apresentar o "talk show" na semana passada. Ainda se equacionou o seu regresso hoje, mas a estação deu férias ao formato antes do tempo. "Sexta à noite" deveria terminar no final do mês. Afastado do pequeno ecrã até Setembro, altura em que conduzirá o novo concurso da RTP1, "Poker Face", o JN conversou com o apresentador, a título de balanço do primeiro projecto com assinatura própria, que, em termos de audiência, não foi além de um resultado modesto. Obteve uma média de "share" de 14.9%, ou seja, apenas perto de 15% dos espectadores que viam televisão à hora em que era exibido, viam o programa do Malato.

Tem pena de não se ter despedido do seu público?

Quando se é umas das caras de um canal não há despedidas. Há um até já. O público compreende que a saúde está primeiro.

Como encara o facto de o "Sexta à noite" ter tido "vida curta"?

Não teve vida curta porque não morreu. O programa - tal como tinha sido programado - vai agora de férias e volta em Janeiro. O canal precisa que eu faça o "Poker Face", o novo concurso em horário nobre. A rotatividade no "prime time" é uma política da estação.

Que papel desempenhou junto da direcção de Programas para garantir a sua continuidade?

Eu e a direcção de programas estamos em perfeita sintonia. Faço o que é melhor para a estação, em cada momento. O meu vínculo é com o canal, não com um programa em particular.

Era um "talk-show" à sua medida?

Fiz, da melhor maneira, o que me foi pedido. Foi um programa desenhado e pensado pela anterior direcção de Programas. Vamos ver o que o futuro nos reserva.

Que balanço faz do programa?

Faço um balanço positivo. Tivemos um leque de convidados extraordinário, de todas as áreas da sociedade portuguesa. Fizemos serviço público como, de resto, foi reconhecido. A RTP fez o que lhe competia: ser uma alternativa às novelas dos canais comerciais com um produto 100% português. Foi, em muitos anos, o único programa que voltou a dar voz aos artistas portugueses em "prime time". É claro que isso tem um custo, em termos de audiências. Soube desde o princípio que não ia ser fácil. Em termos profissionais, aprendi bastante. Aprendi a trabalhar sozinho - e não em dupla - e aprendi que, num programa com o nosso nome, devemos controlar toda a produção de conteúdos e, até, a constituição da equipa. Por inexperiência e devido às circunstâncias, não o fiz desde o princípio e isso teve um custo. Está pago. Não volto a cair no mesmo erro.

As suas expectativas saíram defraudadas em relação às audiências?

Sempre soube que ia ser difícil. A verdade é que não contava que fosse tanto. Houve momentos em que desanimei. Mas fui sempre acompanhado pela produção e pela direcção de Programas que, a cada semana, reiterava a sua confiança em mim e no meu trabalho.

Considera que o programa começou mal, nomeadamente devido à saída precoce de Nuno Markl?

Começou mal porque eu não assumi o comando total e absoluto do programa e deveria tê-lo feito. Não volta a acontecer. A saída do Nuno foi apenas um episódio nesse equívoco.

O programa padeceu de falta de promoção? E o horário era o adequado?

Foi feito o que foi possível. Fizemos o melhor, atendendo às circunstâncias.

O afastamento de Paula Moura e de outros elementos da produção foram proveitosos para que o formato adquirisse diferentes contornos delineados por si?

Isso são águas passadas.

Prefere apresentar concursos a estar à frente de um "talk-show"?

Considero-me um profissional versátil. Foi para isso que estudei e me preparei toda a vida. Não só na rádio como na televisão. Gosto, essencialmente, do acto de comunicar. A meta é a eficácia. Nesse contexto, não prefiro um género de programa em especial, prefiro o que for melhor para a estação. Esse é o desafio.

Está entusiasmado com o regresso a um registo que lhe é caro com a apresentação de "Poker Face"?

Muito. Espero divertir-me e ser feliz. (risos)

Qual a mais-valia que o concurso vai introduzir na televisão portuguesa?

A cultura geral é sempre uma mais-valia. A dimensão lúdica faz parte da nossa maneira de ser e, consequentemente, deve estar representado na televisão. O entretenimento de qualidade faz sentido e tem valor. Vai ser um programa para toda a família.

Quanto a projectos futuros, o que podemos esperar?

Agora, tenho de recuperar deste abanão na minha saúde, e concentrar-me no "Poker Face". O futuro a Deus e ao director de Programas pertence. (risos)

Gostaria de acrescentar algum desenvolvimento da doença que o atingiu?

Graças a Deus, estou a recuperar bem da febre da carraça. Fui muito bem tratado no Hospital S. Francisco Xavier, a quem agradeço. Espero erradicar totalmente a doença e voltar em força. O pior já passou.