Autárquicas 2013

Esquerda de Braga perde terreno para direita coligada

Esquerda de Braga perde terreno para direita coligada

Em Braga, só a direita cresce na preferência dos eleitores, algo alheios ao esforço de Vítor Sousa para manter o PS no poder. Ricardo Rio é cada vez mais presidenciável e a CDU está no limiar da vereação.

A coligação Juntos por Braga (PSD--CDS/PP-PPM), encabeçada por Ricardo Rio, começa a distanciar-se do PS de Vítor Sousa na corrida à presidência da Câmara Municipal de Braga, e foi a única das forças em presença na disputa eleitoral a conquistar novas simpatias entre o eleitorado bracarense - de acordo com a sondagem JN, o consórcio da Direita, com 44,2%, averbou mais 0.9% de putativos eleitores em relação à pesquisa de maio. Mesmo que fazendo uma campanha sem exuberâncias, mas antes à imagem de Rio ele próprio - serena, mas não passiva.

As formações da Esquerda, por seu turno, perderam todas votantes. A CDU, de Carlos Almeida, que tinha 8% em maio, sofre a deserção de 1% das hostes, o que coloca em risco a eventualidade de Braga tornar a ter vereador comunista. A acontecer, será mais pela proverbial fidelidade dos prosélitos comunistas do que pelo esforço de Carlos Almeida em conseguir alguma visibilidade mediática.

Mais marcante, na agenda dos media, tem sido a nóvel e eclética formação de independentes "Cidadania em Movimento", liderada por Inês Barbosa. Todavia, essa atenção ocorre mais pela novidade do que pelas (ainda escassas) propostas, e arrisca-se a não ser mais do que um epifenómeno que o tempo remeterá para nota de rodapé, à semelhança de outros em eleições anteriores.

Neste caso, o eleitorado, com 4,4% a conceder-lhe o benefício da dúvida - menos 0,5% do que em maio -, terá dificuldade em situar-se. Com certa razão: o movimento, de raiz urbana e algo inorgânico, alberga militantes do Bloco de Esquerda, intelectuais da cidade com empenho cívico celebrado, reconhecidos anti-situacionistas de prosa monocórdica, diletantes da coisa política e da esquerda caviar, e dissidentes do PS que não se revêm na candidatura de Vítor Sousa. Prolongando, assim, a guerra intestina do PS que redundou no afastamento (aparente) de António Braga.

Será principalmente nestes, e nos votos que negam ao candidato homologado pelo PS, que radica um dos problemas de Vítor Sousa. O qual se assemelha, por vezes, a um general sem tropas: correligionários de monta não têm correspondido ao seu esforço titânico - Hugo Pires, por exemplo, embora candidato à vice-presidência, tem sido ausência notória. Por outro lado, o investimento absoluto de Vítor Sousa na campanha em curso - multiplicando contactos, visitas e ações de rua, com o candidato PS a confundir-se amiúde com o vice-presidente da Câmara - resulta numa ubiquidade de benefício duvidoso: com a passagem de 41,1% das preferências do eleitorado, em maio, para as atuais 40,8%, o fosso entre Sousa e Rio alargou mais um bocadinho.

FICHA TÉCNICA

Estudo de opinião efetuado pela Eurosondagem, S.A., para o JN, nos dias 23 e 24 de julho de 2013. Entrevistas telefónicas, realizadas por entrevistadores selecionados e supervisionados. O universo é a população com 18 anos ou mais, residente no concelho de Braga, e habitando em lares com telefone da rede fixa. Foram efetuadas 711 tentativas de entrevistas e, destas, 101 (14,2%) não aceitaram colaborar no estudo de opinião.

A escolha do lar foi aleatória nas listas telefónicas e o entrevistado, em cada agregado familiar, o elemento que fez anos há menos tempo, e desta forma aleatória resultou, em termos de sexo, (feminino - 52,1%; masculino - 47,9%), e no que concerne à faixa etária, (dos 18 aos 30 anos - 19,8%; dos 31 aos 59 - 50%; com 60 anos ou mais - 30,2%) num total de 610 entrevistas validadas. O erro máximo da amostra é de 3,96%, para um grau de probabilidade de 95%.

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