Autárquicas 2012

Gaia rejeita o "herdeiro" do PSD

Gaia rejeita o "herdeiro" do PSD

Há dois candidatos à vitória em Gaia: Eduardo Vítor Rodrigues (PS) e José Guilherme Aguiar (independente). Carlos Abreu Amorim (PSD) obtém um resultado fraco. A CDU luta pelo regresso ao Executivo.

Luís Filipe Menezes está de saída e com ele a tradição de resultados autárquicos avassaladores para o PSD. Mais do que quem está na liderança, a grande sensação do estudo da Eurosondagem no concelho de Vila Nova de Gaia é o mau resultado de Carlos Abreu Amorim.

O também vice-presidente da bancada social-democrata no Parlamento não consegue melhor do que 22,7%, ou seja, menos 40 pontos percentuais do que a candidatura PSD/CDS-PP de há quatro anos. Amorim reclamou-se herdeiro de Menezes em carta enviada aos munícipes, mas os eleitores parecem ter outro destino para a herança.

A exemplo do que sucede no Porto, também a sul do Douro surge um independente a baralhar as contas dos partidos maioritários. Zangado com a escolha do PSD - do qual chegou a ser candidato por algumas horas -, José Guilherme Aguiar anunciou, há poucas semanas, a sua candidatura.

Recolhe 30,7% das preferências, beneficiando quer da grande notoriedade proporcionada pelos seus comentários futebolísticos na televisão quer do facto de ter carreira autárquica em Gaia, como presidente da Junta de de Arcozelo e como vereador - apesar dos últimos quatro anos em Matosinhos.

Sem grande surpresa, o primeiro lugar, por menos de dois pontos percentuais, é para Eduardo Vítor Rodrigues. O candidato será pouco mediático, mas beneficia do facto de Gaia ser um concelho com uma forte implantação socialista. Quando não há efeito Menezes - por exemplo em sucessivas eleições legislativas -, o PS soma sempre votações acima dos 40%.

Quase 20% de indecisos

Nesta altura, segundo a Eurosondagem, Rodrigues soma 32,2% das intenções de voto. E tentará capitalizar o facto de já ter sido presidente da Junta de Oliveira do Douro, uma das mais populosas do concelho, bem como do facto de ter sido vereador ao longo dos últimos quatro anos. Mais pelo conhecimento dos dossiês do que pela oposição ao poder municipal, reconhecidamente discreta.

A luta pela vitória entre Eduardo Vítor Rodrigues e José Guilherme Aguiar está ainda mais em aberto quando se sabe que há 19,5% de indecisos. Os suficientes para, teoricamente, permitirem a Carlos Abreu Amorim sonhar com uma reviravolta. Em qualquer dos casos, dificilmente algum destes três terá uma maioria absoluta. Será necessária uma coligação pós-eleitoral. E nessa matéria, o mais maleável é o candidato independente.

De regresso ao Executivo poderá estar a CDU, pela mão de Jorge Sarabando, que conta com um resultado (7,4%) que lhe poderá valer o lugar de vereador perdido em 2009. Uma aspiração impossível para Eduardo Pereira, apesar do bloquista apresentar um resultado (3,8%) que já é melhor do que o que foi conseguido há quatro e oito anos.

FICHA TÉCNICA

Estudo de opinião efetuado pela Eurosondagem, S.A., para o JN, nos dias 23, 24 e 26 de maio de 2013. Entrevistas telefónicas, realizadas por entrevistadores selecionados e supervisionados. O universo é a população com 18 anos ou mais, residente no concelho de Vila Nova de Gaia, e habitando em lares com telefone da rede fixa. Foram efetuadas 937 tentativas de entrevistas e, destas, 127 (13,6%) não aceitaram colaborar no estudo de opinião. A escolha do lar foi aleatória nas listas telefónicas e o entrevistado, em cada agregado familiar, o elemento que fez anos há menos tempo, e desta forma aleatória resultou, em termos de sexo, (feminino - 51,1%; masculino - 48,9%), e no que concerne à faixa etária, (dos 18 aos 30 anos - 20,1%; dos 31 aos 59 - 49,0%; com 60 anos ou mais - 30,9%) num total de 810 entrevistas validadas. O erro máximo da amostra é de 3,44%, para um grau de probabilidade de 95%.

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