Autárquicas 2012

Magalhães sai, mas a Câmara continua no PS

Magalhães sai, mas a Câmara continua no PS

O PS ganha a Câmara de Guimarães com maioria absoluta. Sem surpresas. Mesmo com a saída do carismático António Magalhães. A Direita coligada e a CDU sobem, mas pouco, em relação às autárquicas de 2009.

Águas passadas não movem moinhos, reza o adágio popular que a sondagem JN confirma na paisagem autárquica vimaranense. A coligação "Juntos por Guimarães", liderada por André Coelho Lima e agregando o PSD e CDS-PP, numa reedição tardia da Aliança Democrática que elegeu António Xavier, com 44,42% dos votos, para a Presidência da Edilidade em 1979, fica agora muito aquém, com 33%. E não consegue destronar o Poder Local entregue ao PS liderado por António Magalhães desde 1989, que volta a cativar as preferências de 51% do eleitorado.

Embora a saída do presidente da Câmara que arrebatou 6 maiorias absolutas não pareça demover o voto PS, cuja máquina concelhia tem mostrado assinalável solidez, Domingos Bragança, eventualmente para compensar a discrição excessiva de que padece enquanto candidato, não deixa de tentar capitalizar o carisma do homem que nutriu o ego indígena ao colocar Guimarães no centro das atenções mundiais com o reconhecimento do Centro Histórico pela UNESCO em 2001, a euforia do futebol com o Euro 2004 e, por fim, a festa permanente da Capital Europeia da Cultura em 2012.

Marechal de campo

O cartaz que ostenta o rosto de Bragança é paradigmático, dominado pelo slogan que resume todo um programa e sugere, com a propriedade de o candidato PS ter sido marechal de campo do edil cessante, a herança da visão estratégica de Magalhães: "Continuar Guimarães".

Todavia, o próprio processo de reconversão urbana - sobejamente celebrada - constitui-se, aos olhos do eleitorado, como o pecado maior da gestão socialista, com 44,1% dos inquiridos pelo JN a criticarem o sistema rodoviário e de transportes. Por um lado, pelos incómodos causados durante a intervenção massiva a que foi sujeita a cidade nos últimos anos, a par da retirada do estacionamento automóvel, agora à mercê de parques onerosos ou mais longínquos; por outro, pelo relativo esquecimento das freguesias na partilha dos investimentos, muito centrados na sede municipal.

Mas nem só os eventuais méritos da gestão PS explicam a preferência do eleitorado vimaranense; a Oposição também nunca se mostrou capaz de contrariar, com frontalidade, persistência e ideias alternativas, nem a verve (por vezes deselegante) nem as soluções propostas pelo PS de Magalhães.

Talvez aí radique, nessa passividade, o desencanto com a CDU num município de feição operária onde chegou a eleger dois vereadores em 1997. Ainda assim, e fruto da crise económica que costuma operar em benefício do discurso comunista, sobe a votação e mantém José Torcato Ribeiro como vereador. O BE, por seu turno, com o jovem José Carlos Fonseca, não logra mais de 2,2%, confirmando a irrelevância autárquica do partido em Guimarães.

FICHA TÉCNICA

Estudo de opinião efetuado pela Eurosondagem, S.A., nos dias 22 e 23 de maio de 2013. Entrevistas telefónicas, realizadas por entrevistadores selecionados e supervisionados. O universo é a população com 18 anos ou mais, residente no concelho de Guimarães, e habitando em lares com telefone da rede fixa. Foram efetuadas 709 tentativas de entrevistas e, destas, 99 (14,0%) não aceitaram colaborar no estudo de opinião. A escolha do lar foi aleatória nas listas telefónicas e o entrevistado, em cada agregado familiar, o elemento que fez anos há menos tempo, e desta forma aleatória resultou, em termos de sexo, (feminino - 51,5%; masculino - 48,5%), e no que concerne à faixa etária, (dos 18 aos 30 anos - 18,2%; dos 31 aos 59 - 49,3%; com 60 anos ou mais - 32,5%) num total de 610 entrevistas validadas. O erro máximo da amostra é de 3,96%, para um grau de probabilidade de 95%.

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