Autárquicas 2013

Matosinhos mostra com quantos nós se faz um cordão

Matosinhos mostra com quantos nós se faz um cordão

O sábado de campanha em Matosinhos foi cerzido com cordões. Duas correntes, duas campanhas, uma azul, outra vermelha: a do socialista António Parada pela rampa em falta no acesso ao Hospital Pedro Hispano, a do candidato independente Guilherme Pinto unida pela vitória. Na corrida autárquica, cada elo conta e, ontem, nenhum dos candidatos desperdiçou ligações.

O cordão por António Parada foi o primeiro. Sentido e ordeiro, debaixo do sol tórrido que abrasou o alcatrão da contestada rampa do Pedro Hispano, em defesa de um acesso melhor. Maria de Fátima Martins aguentou a braseira melhor do que as idas ao hospital. Os joelhos cedem-lhe aos 64 anos e as artroses martirizam-lhe a marcha: "Quando cá venho não aguento as dores".

António Parada -, "filho da terra e de pescadores", lembrou uma apoiante -, cumprimentou cada um dos elos do cordão, que subiu e desceu a rampa, numa "garantia da verdade" que fala. "O atual presidente da câmara e candidato independente veio cá apresentar este projeto três vezes com o Ministério da Saúde. Apresentou o projeto, apareceu em várias notícias de jornais e esqueceu-se do povo", disse António Parada. "Esta será a minha prioridade no que diz respeito à mobilidade",garantiu. "Tenho um sentimento de vitória. Mas sinto-o com respeito, porque anunciar vitória é desrespeitar os eleitores".

Seguiu-se nas horas do dia o cordão de Guilherme Pinto, a unir Matosinhos a Leça da Palmeira, por cima da ponte móvel. Tom de festa, música, balões e aulas de zumba, debaixo do mesmo sol tórrido, junto à Capela de Santo Amaro. O encontro a meio do tabuleiro arrancou um sentido abraço entre os dois candidatos independentes que encabeçaram cada um dos lados: Guilherme Pinto, à Câmara, por Matosinhos, Pedro Sousa, pela união de freguesias Leça da Palmeira e Matosinhos. Fez-se a festa em cima da ponte. "Matosinhos, Matosinhos!", gritaram.

Para lá da festa e do cordão, também se acertou a mira. Guilherme Pinto recuperou os sons da manhã de campanha que o marcaram. "Estou em estado de choque. Estive num debate na Festival em que o candidato do PSD chamou paralelepípedo ao candidato do PS e o candidato do PS respondeu e chamou cepo ao candidato do PSD", contou, lamentando o tom e as coisas da campanha em Matosinhos.

"Os matosinhenses que ainda recordam o que o Narciso disse do António Parada e o que o António Parada disse do Narciso percebem bem que esta junção lhes fica mal aos dois", disse. v

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