Autárquicas 2013

Pizarro: "Porto deu enorme não ao populismo mais miserável e ao centralismo mais hipócrita"

Pizarro: "Porto deu enorme não ao populismo mais miserável e ao centralismo mais hipócrita"

Foi elogiado por todos os adversários, da Esquerda à Direita, desde o primeiro ao último dia de campanha, pela dignidade com que lutou para ser presidente da Câmara do Porto, por nunca ter cedido ao populismo, por ter cumprido a corrida de forma limpa e leal. Manuel Pizarro, que partiu com défice de notoriedade e teve sempre as sondagens contra si, está perto de acabar, afinal, as eleições deste domingo, em segundo lugar.

"Não é uma vitória", ressalvou, "é uma derrota", mas tem um "sabor agridoce", afirmou o socialista, nesta noite de domingo, na sede de campanha, onde foi recebido com ovação de vitória, e onde num discurso de seis minutos reafirmou o que sempre o moveu: a paixão pelo Porto.

A derrota, que se confunde com vitória, tem uma explicação. "Quem escolhe o presidente da Câmara do Porto é o povo do Porto", enalteceu, com orgulho. "E o povo do Porto deu um enorme não, digno da nossa História, ao populismo mais miserável, ao centralismo mais hipócrita e mais anti Porto de que há memória neste país", esclareceu numa alusão à candidatura derrotada do social-democrata Luís Filipe Menezes.

No elogio ao povo, Pizarro não poupou as variáveis externas que, na sua opinião, terão influenciado a sua derrota. "Há comentadores que sabem de tudo, sondagens que são perfeitas na sua conceção técnica, órgãos de comunicação social disponíveis para vender tudo, até a sua alma. Só que quem manda no Porto", repetiu, "é o povo do Porto". E esse povo "votou mais na recusa à alternativa terrível que representava o comissário do Governo do que na candidatura vencedora".

Ainda assim, acrescentou, "o povo do Porto escolheu recusar o que era pior, o que era mais grave para a cidade."

A afirmação não o impediu de saudar, logo no início do discurso, Rui Moreira, o novo autarca da cidade. Mas a saudação também não travou o aviso. "Não vou embora, vou ser vereador da Câmara", assumiu. "Mas ficarei para fazer Oposição, porque aquilo que me separa de quem ganhou é muito", observou.

Aliás, Manuel Pizarro considera que a candidatura independente de Moreira, tendo tido o apoio do CDS, representa uma "semi-vitória" do Governo" no Porto.

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Contra isso, garantiu que estará com "lealdade" no futuro Executivo, mas sem "abdicar dos seus valores, nem daquilo que as pessoas que votaram no PS esperam que o PS represente", comprometendo-se, dessa forma, a honrar e a defender quem nele acreditou e votou.

"Tenho sobre as minhas costas um enorme peso, o peso dos pobres, o peso dos excluídos, o peso daqueles que o PSD e o CDS estão a deixar na miséria, o peso daqueles a quem o Governo oprime todos os dias retirando direitos elementares. Tenho sobre mim o peso de representar o Porto naquilo que de melhor o Porto tem: uma cidade de solidariedade e amiga da liberdade".

Mas o socialista promete também continuar a lutar pela afirmação do Porto, legado que Rui Rio, "um dos vencedores da noite", não deixa, criticou. "Teve uma liderança insuficiente do ponto de vista da afirmação da cidade e conviveu pacificamente com o agravamento brutal da desigualdade entre as pessoas".

Por isso, Pizarro será um vereador vigilante. "O PS estará atento", sublinhou, lançando novo desafio: "Espero que sintam, tal como eu, que já a partir de manhã temos de retomar o combate por um Porto mais desenvolvido e com mais direito à igualdade de oportunidades."

E deixou um exemplo de uma batalha que se segue. "O governo PSD/CDS-PP pagou à Câmara Municipal de Lisboa, de indeminização pelos terresnos do aeroporto da Portela, 370 milhões de euros. A Câmara Municipal do Porto tem o mesmo direito, segundo a mesma base legal, a ser ressarcida em 64 milhões de euros". O PS que, nessa matéria, "esteve ao lado de Rui Rio, estará agora ao lado de Rui Moreira nessa luta".

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