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BE apresenta programa "alternativo" à 'troika' e propõe reestruturar a dívida

BE apresenta programa "alternativo" à 'troika' e propõe reestruturar a dívida

O BE apresenta, quinta-feira, um programa eleitoral centrado em "alternativas" ao plano "irrealista" acordado com a 'troika', propondo a reestruturação da dívida e a arrecadação de receita taxando rendimentos que actualmente "fogem" ao Estado.

"Apresentamos um programa adequado ao momento que o país vive, queremos centrar esse programa na economia, na política de rendimento e nas políticas sociais", afirmou à agência Lusa o líder parlamentar bloquista, José Manuel Pureza, a propósito do programa eleitoral do partido, que será apresentado pelo líder do partido, Francisco Louçã.

Segundo José Manuel Pureza, o programa eleitoral do BE vai permitir "o confronto com o irrealismo do programa de governo assinado" pelo PS, PSD e CDS-PP e que foi acordado com a 'troika'.

"Contas feitas, verificamos que mais de um terço dos 78 mil milhões de euros emprestados a Portugal serão devolvidos em juros e que mais 12 mil milhões de euros serão para o sistema bancário", assinalou, considerando que o plano não promove o crescimento económico.

"O programa da 'troika' é uma estratégia de empobrecimento do país, que, em vez de resolver os problemas, agrava os problemas, vamos ter uma recessão e, ao mesmo tempo, esta taxa de juro [de 5,5 por cento] vem colocar o país numa situação insustentável", vincou o bloquista.

Para o presidente da bancada do BE, "é totalmente irrealista o que está a ser colocado como inevitável para o país".

Pureza referiu que, no seu programa, o BE irá propor "uma reforma fiscal corajosa" e "taxar rendimentos que hoje fogem", como "as mais valias urbanísticas ou propriedade mobiliária".

"Há seguramente muita capacidade de arrecadar receita que é deliberadamente desperdiçada, ao mesmo tempo que há também incidências fiscais que são muito onerosas para famílias mais pobres e que podem perfeitamente ser poupadas a um sacrifício que existe simplesmente porque não há coragem de ir a outro sítio", sustentou.

Também o coordenador do BE, Francisco Louçã, afirmou na terça-feira que é preciso "imaginação" e "sair da rotina" para encontrar simultaneamente "mais exigência fiscal, intransigência contra o crime económico, intransigência contra o abuso, mas também inteligência, ideias novas" sobre como se pode mudar o padrão do sistema fiscal.

Entre as principais propostas apresentadas pelos bloquistas estão a realização de uma auditoria e uma reestruturação da dívida portuguesa e a criação de um novo imposto sobre o património mobiliário acima de 100 mil euros e a taxação das mais valias urbanísticas.

Segundo o BE, estas propostas permitiriam alavancar programas de criação de emprego e evitar qualquer aumento de impostos.

No seu programa, os bloquistas defendem ainda a renegociação de todas as parcerias público/privadas, a criação de um banco público de terras, alargar o levantamento do sigilo bancário e garantir um médico de família por cada português.