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Legislativas 2011

CDS-PP ficou aquém das expectativas altas

CDS-PP ficou aquém das expectativas altas

Cresceu o CDS, mas menos do que sonhou. Daí que tenha batido certa a atitude há dias preconizada por Paulo Portas, interditando as euforias no partido. "Amanhã é dia de trabalho, e é de trabalhar que o país precisa", sentencia. Já não despe a pele de ministro.

Se alguém acredita que há sinais, os Homens da Luta, que perderam a inocência original e são agora um número para grandes eventos, deram um sinal forte de que a festa no Caldas não era tão intensa como os centristas queriam que parecesse: eram esperados à porta do CDS-PP, mas não puseram lá os pés.

Porquê? Porque, embora sempre dizendo que não queria euforias, Paulo Portas chegou a apontar a fasquia dos 14% e permitu que muitos correligionários se referissem a ele como "futuro primeiro-ministro de Portugal". Não neste futuro que agora é presente. Neste futuro que já é presente, surge o Portas estadista a dizer que "o mais importante é a governação de Portugal" e a salientar que "o CDS e o PSD cresceram nambos na mesma eleição, e qualquer pessoa que conheça o sistema partidario português sabe como é dificil ao CDS aguentar em ciclo de crescimento do PSD".

"Felicitei o novo primeiro-ministro", disse o (de) novo ministro (façamos de conta que já estão cumpridos os trâmites de formação do Executivo), que reformulou, face aos resultados, os parâmetros de sucesso que tinha estabelecido ao longo da campanha: não teve os 14% com que sonhou, mas pôde falar do "melhor resultado em 28 anos"; não teve mais votos do que CDU e BE juntos, mas suplantou essas duas forças em número de deputados; não subiu nos 16 círculos em que desejava, mas louvou as votações de Lisboa e de Setúbal, além de destacar que o CDS subiu nas secções de voto dos novos eleitores, isto é, junto dos mais jovens.

Para o presidente centrista, era essencial - já o dissera na campanha - ir para o Governo com uma relação de forças diferente da que havia quando se coligou com Durão Barroso. Embora não com o peso que esperava, é certo que equilibra hoje, um pouco mais, a balança política. "O país não deu a maioria absoluta a um só partido, e essa hipótese sempre me pareceu exagerada", salienta, estendendo ao PS (tal como fizera na campanha), uma espécie de pacto de não agressão (de pouca agressão, concedamos), na medida em que a próxima legislatura implicará processos em que serão necessárias maiorias qualificadas de dois terços na Assembleia da República, como a revisão constitucional: "O Partido Socialista entrará num novo ciclo e fará a sua propria reflexão. Ninguém deve interferir nessa reflexão, pois PSD e CDS não têm qualquer interesse em crispar a relação com o novo Partido Socialista".

Pose de Estado, lá está. A sede de crescimento do CDS não se esgota em 24 deputados, e outros tempos virão.

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