Legislativas 2011

Dos pepinos espanhóis ao patriotismo de Portas

Dos pepinos espanhóis ao patriotismo de Portas

Com a campanha quase a chegar ao fim, os políticos querem passar a mensagem, mas os mediadores da informação apenas esperam novos passos da estratégia partidária: esta quinta-feira, depois de Paulo Portas ter feito um debate com alunos do secundário e visitado o hospital da Misericórdia de Évora, todos queriam saber já que pastas quer o CDS num futuro Governo e quem as assumirá. Nada mais fácil para o líder centrista não responder.

"Contem com o CDS como um partido de estabilidade", diz Portas, que aproveita todas as deixas para se mostrar o mais sério dos homens de Estado. "Para mim, o poder é um serviço. Não quero o poder a qualquer preço", diz, acrescentando depois que o importante é saber se o futuro Executivo, seguirá padrões de competência com provas dadas, que, no entender dele, estão no próprio partido.

Mas nem por isso Portas respondeu direito à Catarina, aluna da Escola Secundária de Montemor-o-Novo que lhe pediu para comentar as juventudes partidárias enquanto trampolins políticos. Na verdade, o líder do CDS, que tanto tem apregoado a necessidade de os quadros políticos terem provas dadas no mundo profissional, deu uma resposta muito redonda, talvez para não ferir as suceptibilidades dos jotinhas presentes.

No discurso de Portas, palavras como "Nação" ou "patriotismo" têm lugar assegurado. Misturando-as com outra das palavras mais repetidas, "agricultura", foi buscar o exemplo dos pepinos espanhóis, associados (talvez erradamente) à epidemia na Alemanha causada por uma nova estirpe da bactéria E.coli: "O rei veio a terreiro, o primeiro-ministro veio a terreiro, o ministro da Agricultura veio a terreiro, e muitos mais. É apenas um produto que eles exportam, mas todos os políticos se puseram ao lado dos agricultores, e estão a pôr os alemães na ordem. Gostava de saber se algum primeiro-ministro português se colocaria assim na defesa da agricultura".