Legislativas 2011

Sócrates põe em causa liderança de Passos

Sócrates põe em causa liderança de Passos

José Sócrates lançou, sexta-feira, um forte ataque à liderança de Pedro Passos Coelho. Bastou para tal voltar a pegar nas suas declarações sobre o aborto para o acusar de mudar de convicções só a pensar nos votos. De Manuel Alegre, ouviu um conselho: se o PS perder deve ir para a Oposição. "Não pode ser pau de cabeleira de um Governo do PSD e do CDS."

Não foi necessário a José Sócrates tirar um coelho da cartola para marcar pontos na corrida às eleições de 5 de Junho. No dia em que teve mais ouvidos para o escutar - a "arruada" em Barcelos, a meio da tarde, foi a mais longa e concorrida até agora, e o comício da noite, em Coimbra, também teve uma enchente -, o líder socialista pegou no que tinha mais à mão. Ou seja, ainda as frases de Passos Coelho sobre a Lei da Interrupção da Gravidez e um eventual novo referendo.

"Quando estava a pensar comunicar isso aos portugueses?", questionou, lembrando que, em 2005, quando o PS quis avançar com um referendo sobre a matéria, colocou-o no programa eleitoral. "Não escondemos isso de ninguém", continuou, atribuindo a postura do seu adversário "às disputas mesquinhas entre PSD e CDS".

Esta "mudança de convicções por conveniência" - Sócrates relembrou que, em 2008, Passos deu uma entrevista em que assumiu que votou Sim no segundo referendo - foi também utilizada pelo candidato socialista para o tema Educação. "Foi um espectáculo deprimente vê-lo apresentar o programa eleitoral num domingo e, na quinta-feira seguinte, ouvi-lo dizer que vai mudar todo o capítulo, apenas porque ouviu algumas críticas."

"As lideranças políticas devem ouvir antes, devem ponderar, mas é fundamental ter firmeza na decisão", atirou. Estava na altura de dar o seu próprio exemplo e, reafirmando o que já dissera em Guimarães, durante o almoço, assumiu que ao longo do último ano e meio teve de tomar medidas difíceis, que lhe custaram, e ao PS, popularidade, mas foi "sempre para ajudar o país, para não levar o país a depender da ajuda externa".

E, por falar em ajuda, a de ontem chegou-lhe de Manuel Alegre. O ex-candidato presidencial apoiado pelo PS não se esqueceu de dizer que manteve e ainda mantém divergências com Sócrates, mas foi claro quanto ao seu posicionamento actual. "Não gosto que dirigentes de outros partidos digam que estão dispostos a dialogar com o PS, mas sem o José Sócrates. Ele é o secretário-geral escolhido pelos socialistas. Se o excluem a ele, excluem-me a mim." A frase soou bem e o povo aplaudiu.

Depois, deixou um recado ao líder, caso não ganhe as eleições: "Se o PS perder deve ir para a Oposição. Não pode ser pau de cabeleira de um Governo do PSD e do CDS-PP."

Tudo isto foi em Coimbra, onde José Sócrates chegou com melhor voz do que aquela que teve ao longo do dia. E onde voltou a ter à sua espera uma pequena manifestação. Desta vez em defesa do Metro do Mondego e desta vez sem causar qualquer incidente.