Legislativas 2011

Regresso à honrosa condição "de militante de base"

Regresso à honrosa condição "de militante de base"

José Sócrates anunciou que vai abandonar a liderança do PS e regressar à condição "honrosa" de militante de base. Com o "coração preenchido", assumiu a responsabilidade da derrota e garantiu que, nos próximos anos, não estará na primeira linha da política.

O momento era esperado, mas não deixou de causar algum impacto entre os muitos apoiantes que escutavam o discurso da derrota de José Sócrates, no Hotel Altis, em Lisboa. "Pedi já ao presidente do PS, Almeida Santos, para convocar para os próximos dias a Comissão Nacional de modo a marcar um congresso extraordinário, para desencadear tão depressa quanto possível o processo de nova liderança e nova direcção para o PS". Ouviram-se alguns "não, não" que levaram o ainda secretário-geral socialista a pedir: "Não tornem isto ainda mais difícil."

Num tom tranquilo, mas determinado, Sócrates, que durante mais de 23 anos exerceu as mais diversas funções políticas - nos últimos seis, foi primeiro-ministro -, afirmou que vai regressar "com orgulho" à "honrosa" condição de militante de base. "Deixarei a primeira linha da actividade política e não pretendo ocupar qualquer cargo político", frisou.

Da mesma forma, garantiu que não irá intrometer-se na sucessão, sublinhando que vai dar espaço ao PS para discutir livremente o seu futuro e afirmar uma nova liderança sem condicionamentos.

O líder socialista assumiu a responsabilidade da derrota, acentuando que não se esconde atrás das circunstâncias, que é como quem diz da crise que o Governo teve de enfrentar. E revelou que telefonou a Pedro Passos Coelho, felicitando-o pela vitória. "Desejo [ao líder do PSD] sinceramente o que desejaria para mim próprio e para qualquer outro que os portugueses escolhessem neste tempo de dificuldades. Desejo que encontre no fundo de si mesmo a sabedoria, a prudência e o sentido de justiça para liderar este país".

Na presença de algunsmembros do Governo - Ana Jorge, Isabel Alçada, António Mendonça e Rui Pereira - e do histórico Manuel Alegre, José Sócrates reafirmou a disponibilidade do PS para o diálogo e os entendimentos de que o país vai precisar. "Os votos do PS estarão, como sempre, ao serviço de Portugal", destacou, salientando mais tarde que a tarefa do partido será servir o país na Oposição e construir uma alternativa "credível, forte e mobilizadora para voltar a governar".

Já na parte final, Sócrates foi questionado sobre a possibilidade de, com a sua saída da política, estar aberto o caminho a processos judiciais contra si. "Não consigo compreender essa pergunta, pela simples razão de que a justiça nada tem a ver com a política. É melhor passarmos a outra pergunta", afirmou, apoiado pelas vaias dos militantes.

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Numa mensagem mais pessoal, manifestou o desejo de poder, agora, compensar os filhos com o "amor de sempre. Não levo nem ressentimentos nem amarguras. Não são as companhias que quero para os dias felizes que aí vêm. Neste momento, o meu coração está preenchido com amor ao meu país e gratidão por o ter servido."

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