Legislativas 2011

O longo caderno de encargos de Marcelo para Passos Coelho

O longo caderno de encargos de Marcelo para Passos Coelho

Marcelo Rebelo de Sousa foi, esta quarta-feira à noite, ao comício do PSD em Aveiro para dar o seu apoio a Passos Coelho. Mas deixou-lhe desde já um longo caderno de encargos para quando for primeiro-ministro.

"Milhares de portugueses esperam muito de Pedro Passos Coelho. Que faça a diferença, que fale sempre verdade, que nunca aceite a mentira para se agarrar ao poder, para proteger amigos ou companheiros de partido. Esperam que se rodeie dos mais capazes e dos mais honestos e nunca permita negociatas", disse o ex-líder do partido, num dos mais participados comícios da campanha, deixando uma longa lista de pedidos a Passos Coelho, caso seja eleito primeiro-ministro a 5 de Junho, como acredita que irá suceder.

"Não se esqueça um só minuto dos mais pobres, dos mais fracos, dos explorados e resista à arrogância e ao deslumbramento dos que acham que Portugal é propriedade dos que podem, querem e mandam", disse o professor, defendendo que o PSD é o partido que está em "melhores condições para executar o programa de salvação nacional" de que o país necessita.

"Eu sei que vai ser muito, muito difícil ser primeiro-ministro na maior crise que Portugal vive nos últimos 40 anos. Eu sei que vai viver momentos duros e que vai sofrer por não poder fazer rapidamente tudo o que gostava", disse, dirigindo-se a Passos e pedindo-lhe que "dê, todos os dias, uma palavra de confiança nos meses mais sacrificados que todos vamos viver".

Explicando que fala em nome do futuro dos seus quatro filhos e dois netos, Marcelo invocou Sá Carneiro e Cavaco Silva e não deixou de dar uma bicada ao PS e CDS-PP. "Estamos à Direita do socialismo colectivista e à Esquerda do populismo conservador. Nós não mudamos de ideologia de eleição para eleição ou durante uma campanha eleitoral", disse, numa referência velada a Paulo Portas, o líder do CDS-PP, que tem feito várias aproximações à Esquerda.

Tal como Passos tem vindo insistentemente a dizer, também Marcelo considerou que, para mudar Portugal, o PSD tem que ter "uma maioria clara para governar". E, para o fim, deixou as palavras de apoio e confiança: "Quero que saiba que, sem ceder um milímetro que seja na minha liberdade de opinião, eu estou consigo, acredito em si e no que vai fazer por Portugal", disse.

No comício de Aveiro esteve também Leonor Beleza, ex-ministra da Saúde de Cavaco e actual presidente da Fundação Champalimaud.

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