Festivais de Verão

Death from Above 1979 fecham Coura em delírio

Death from Above 1979 fecham Coura em delírio

Os Explosion in the Sky, banda norte-americana que muitos gostariam de ter visto na edição deste ano, podem não ter vindo a Paredes de Coura, mas as explosões estrelares e as descargas eléctricas intensas não estiveram ausentes da última noite do festival.

Começando pelo fim, os Death from Above 1979, de regresso ao festival após seis anos, desencadearam, com a sua energia a rodos, uma profusão de 'moshes' e 'crowd surfing', que andaram algo arredados da edição deste ano.

Revigorados pela reunião, o baterista e vocalista Sebastien Grainger e o baixista Jesse. F. Keller transformaram o anfiteatro ao natural da vila minhota num território de emoções desenfreadas em que tudo que implicasse agitação era lícito. Poderoso.

Os Mogwai, que antecederam os DFA 1979 em palco, assinaram uma prestação mais introspectiva mas não menos intensa.

Não há cá facilitismos e concessões na música destes escoceses, nem tampouco elogios em barda às maravilhas, reais ou fictícias, deste país à beira-mar plantado....

Sorumbáticos (não por acaso, o símbolo da banda é uma caveira alada...), limitam-se quase a executar um após outro os seus temas densos, que mais se assemelham a sinuosas e complexas obras musicais de arquitectura. Mas o que os Mogwai alcançam com o seu rock calibrado, presente nesta edição através de grupos como Battles ou Linda Martini, bem que dispensa extroversões gratuitas.

Não se repetiram nesta segunda incursão dos autores de "Hardcore will never die, but you will" por Coura os incidentes de há uma dúzia de anos neste mesmo palco, quando os fãs dos Guane Apes os assobiaram em palco (embora o inverso fizesse mais sentido...). Mesmo sem ter vibrado por aí além, a plateia assimilou com agrado a música dos Mogwai.

Com um pé na indie e outro nas tabelas de vendas, os Two Door Cinema Club foram os antepenúltimos a subir ao palco. O rock fluído e inconsciente q.b do trio irlandês, convertido em quarteto na actuação, não passou à margem da plateia, que demonstrou conhecer surpreendentemente bem os temas, em especial "I can talk" e "Come back home".

Tamanho entusiasmo fez com que público tivesse direito a um pequeno brinde: a possibilidade de escutar um novíssimo tema, "Sleep alone", exemplo da propensão melódica da sua música.

As qualidades potenciais da música dos Two Door Cinema Club esbarram, todavia, na forma ostensiva como piscam o olhos aos tops e à publicidade - operadoras de telemóveis e marcas de videojogos estão entre as firmas que compraram os direitos das suas canções... -, num afã comercial que apenas empobrece o seu conteúdo. É pena.

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